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 The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]

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brshawol
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MensagemAssunto: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Sab 7 Dez - 22:53:10

Annyeonghaseyo, amores!  

Bem, antes de mais nada, essa fanfic NÃO É DE MINHA AUTORIA (minha imaginação ainda não chegou a esse nível extremo de perfeição)!

Com a autorização da autora, eu resolvi postar minha tradução da fanfic "The Beast", escrita pela CruorCorvus e postada no AsianFanfics. *o*

Eu venho traduzindo essa história já há um tempo (pelo bel prazer da minha prima) e pensei em compartilhar com outros shawols que por ventura não leiam em inglês, simplesmente porque essa é a fanfic MAIS PERFEITA do mundo inteiro e TODOS precisam ler! *fangirl alert*

 

Eu já tenho até o capítulo 8 completamente traduzido, então... Se houver interesse, vocês não esperarão muito pelas atualizações 8) 

Sem mais delongas... Ao prólogo!!!

Ps: Eu sou brasileira, então a tradução estará em português brasileiro.
 


 
 
 
 
 
 
A FERA (The Beast)

By CruorCorvus

PRÓLOGO

 
 
Vampiros.

Existem diversas lendas e contos sobre eles, mas poucos são verdadeiros.

Eles são conhecidos por serem vis criaturas sugadoras de sangue que encontram a morte instantaneamente quando se expõem ao sol e se curvam de dor quando veem um alho ou um crucifixo. Agora existem até mesmo histórias sobre eles que dizem que eles não morrem ao sol, que eles brilham.

Bem, eu vou dizer algo a você. Eu não sou a Sininho, eu não brilho.

Meu nome é Kim Kibum e eu sou um vampiro.

Meu problema? Eu odeio isso.

O motivo? São muitos pra contar. Isso não é um conto de fadas, e não, eu não estou morto, eu não tenho problemas com alho ou dissolvo em fumaça quando ando nas ruas à luz do dia, isso é besteira.

Sangue.

Nós não vivemos de sangue; nós precisamos dele, sim, mas nossa dieta não é baseada nele. Eu gosto de comida italiana, é minha favorita.

Sangue é a fonte dos meus problemas. Sangue é a fonte dos problemas de todos os vampiros; ele não é nosso amigo, é nosso inimigo.

Existem muitos tipos de vampiros, na verdade. Existem aqueles que nasceram como vampiros, os que foram transformados e os que não resistiram ao vírus e ou morreram ou se tornaram perigosos. Exatamente, um vírus. É tudo sobre esse maldito vírus.

Por causa desse vírus, eu me envolvi em muitos problemas.

Por causa desse vírus, eu encontrei alguém que mudou minha vida.

Por causa desse vírus... Eu encontrei um motivo pra viver outra vez.


Última edição por minkeylover33 em Qua 15 Jan - 21:36:42, editado 6 vez(es)
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Pirili
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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Dom 8 Dez - 0:09:56

Curioso, a CruorCorvus também é membro deste forum, embora ande desaparecida...:albino: 

Não conheço a fic no entanto...

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brshawol
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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Dom 8 Dez - 0:12:23

Sim sim, ela me disse que costumava postar aqui antes de se mudar pro AFF!
Foi ela quem me indicou o fórum *o* As fanfics dela são perfeitas! <3
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Juu
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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Dom 8 Dez - 17:03:01

Mudar para o AFF ??, não sei porque isso não me agrada T.T...eu tambem posto no AFF e venho aqui lol
Gostei, vampiritos <3

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brshawol
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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Dom 8 Dez - 17:08:41

É que lá ela posta as histórias em inglês e mais pessoas têm acesso; aliás, essa história faz muuuuito sucesso por lá. É a minha favorita de todas que já li do SHINee! *o*
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Pirili
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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Dom 8 Dez - 17:16:02

vampiros.....hmmm! lol desde o twilight que estou um bocado marcada. lol por mim desde que não brilhem tá tudo bem! XD

Estou curiosa para ver que tipo de vampiros saem daí...

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brshawol
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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Dom 8 Dez - 17:31:53

Pode confiar em mim, essa história não tem NADA de Twilight HAHAHAH Eu também já tava um pouco saturada de vampiros vampiros e mais vampiros, mas essa fanfic mudou minha mente! *o*

Vou postar o capítulo 1 pra dar uma ideia do que vem por aí.
Aliás, digo logo que os capítulos são imeeeeeeensos D:, mas são perfeitos <3

Uma pergunta: é muito diferente pra vocês lerem em português brasileiro? Me deu curiosidade! rs
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brshawol
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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Dom 8 Dez - 18:20:39

Não to conseguindo postar o capítulo D:
Diz que não tenho permissão para postar links externos e e-mails, mas não to postando nada disso!

Monkey 3 
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brshawol
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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Dom 8 Dez - 18:27:33

CAPÍTULO 1 – MEMÓRIAS (parte 1/2)


("Nós não precisamos matá-lo.")


O garotinho estava preso à mão de sua mãe, a mulher andando a passos apressados até a sala de estar através dos longos e escuros corredores da mansão, velas iluminando o caminho enquanto eles passavam.
O menino de oito anos choramingava enquanto a mão dela apertava a sua com força, tão forte que doía. Ele olhou para a mulher de cabelos longos, o rosto dela mostrando um misto de ansiedade e preocupação, um pequeno sorriso aparecendo em seus lábios quando ela encontrou o olhar de seu filho.
Os olhos do menino se arregalaram em choque pelo fraco sorriso; a última vez em que ele tinha visto a mulher sorrir pra ele foi quando ele acidentalmente matou um gato ao se alimentar dele.
Naquele dia, ele tinha se recusado a se alimentar de sua empregada; ele não queria machucar a garota porque ela era tão boa pra ele! Ele tinha se sentido tão mal enquanto ela o olhava em desespero, implorando-o para que não fizesse aquilo. Mas sua mãe queria que ele se alimentasse de um humano, que ele abandonasse as bolsas de sangue; era tempo de aprender a se alimentar propriamente, de verdade.
Ele se recusou. Para puni-lo, sua mãe matou a empregada, sua única amiga, a única que tinha cuidado dele desde que ele era um bebê.
Tomado pela fome, ele tinha se alimentado do gato por não encontrar nenhuma bolsa de sangue ao redor.
Ele havia chorado por horas, ele odiava mortes, odiava quando alguém morria e odiava ainda mais quando era forçado a ver pessoas morrerem. Sua mãe tinha dito a ele que a morte era algo natural, que ele teria que matar muito mais que um gato para sobreviver. Ela tinha sorrido, segurado o animal morto, e o jogado pra fora da janela.
Ele não gostava de sua mãe. Ele tinha medo dela. Ele a odiava.
"Ele está aqui, Kibum. Ele está aqui pra ver você." O sorriso da mulher cresceu, seus caninos aparecendo orgulhosamente.
"Ele quem?" O menino perguntou cuidadosamente em uma voz baixa para não estressar a adulta. Ele sabia que ela não gostava quando ele falava alto demais.
A mulher vestida em caras roupas escuras de veludo deu um sorriso de desdém, seus olhos nunca deixando o fim do corredor onde uma grande porta de madeira os separava da sala de estar. "Seu futuro companheiro."
"Umma... Por que eu tenho que conhecê-lo?" O pequeno Kibum perguntou, mordendo seus lábios nervosamente. Ele não gostava disso, não gostava nem um pouco. Por que ele tinha que falar com uma pessoa que ele nunca tinha visto antes? E pelo que sua mãe tinha lhe dito, o outro era muito mais velho.
Os olhos escuros da mulher caíram sobre o garoto com um olhar severo. "Você sabe por quê! Os Kim são uma das famílias mais ricas por aí! Eles são poderosos, Kibum! É uma boa coisa que você tenha nascido com o talento do seu bisavô. Sem isso, eu não acho que você conseguiria...! Eles querem poder, e é melhor que você se torne poderoso! Nós precisamos dessa união!" Ela rebateu, repentinamente parando quando o garoto se recusou a caminhar mais.
"Eu não quero um companheiro...!" Ele choramingou, pequenas lágrimas aparecendo no canto dos seus escuros, inocentes olhos.
Ele sabia que não deveria ir contra a vontade de seus pais, mas ele simplesmente odiava a ideia! Parecia errado! Já esperando por isso, uma mão de unhas bem feitas foi de encontro ao seu rosto com força, olhos irritados e penetrantes o encarando de cima. "O que você está dizendo, seu garoto estúpido?! Você foi prometido aos Kim no segundo depois que nasceu. Não é sua escolha. Você faz o que eu digo!"
"Por quê?" Ele murmurou, olhando para baixo enquanto uma lágrima rolava por sua bochecha pálida, limpando-a rapidamente com a manga de sua camisa. Ele não podia chorar, ele não podia fazer isso, ele sabia que seria muito pior se ele chorasse.
"Escuta aqui, sua criança idiota!" A mulher empurrou o menino até um canto escuro pelo braço e apontou um dedo para ele em aviso, suas unhas afiadas quase tocando a ponta de seu nariz. "Você não vai arruinar esse encontro! Você vai conhecer seu companheiro e é melhor que você faça de tudo pra que ele goste de você! Faz anos desde que ele te viu! Então tente parecer bem e agir como o nobre que você é!"
"Ele é muito velho..." Ele murmurou, tentando lutar contra a vontade de chorar.
"Ele é poderoso! Essa é razão suficiente pra que você goste dele! Agora cala a boca e faz o que eu te digo! Você não quer me ver com raiva, Kibum." Ela empurrou sua criança em direção à grande porta, fuzilando-o com os olhos.
Kibum limpou seus olhos molhados e sentiu as mãos de sua mãe reajustarem suas roupas antes de abrir a porta para o resplandecente cômodo.
Temporariamente cego pelas luzes, o menino colocou seu braço sobre os olhos, tentando protegê-los com sua sombra.
Algumas pessoas estavam sentadas ao piano. Ele podia ver seu pai segurando uma taça de vinho, conversando animadamente com um homem que ele deduziu ser o Sr. Kim. Uma mulher elegante estava ao seu lado, bebericando de sua própria taça. Encarando o lado de fora da janela, havia outra figura masculina, um adolescente, e o menino de oito anos sentiu seus joelhos enfraquecerem.
Ter um companheiro significava dar parte de sua alma à outra pessoa; era muito mais do que os humanos chamavam de casamento, era algo mais forte, mais espiritual. Ele não queria fazer isso agora e não queria fazer isso com um estranho. Uma empregada uma vez lhe dissera que as pessoas costumam encontrar seu companheiro quando elas são adultas, mas ele tinha sido prometido ao filho dos Kim desde o dia em que nasceu. E tudo era culpa do seu estúpido poder...
Enquanto eles entravam no cômodo, Kibum era guiado por sua mãe na direção das pessoas importantes. O humor dela mudou completamente e o garoto não podia deixar de encará-la. Ela parecia radiante. Seus olhos brilhavam para seus convidados, um sorriso reluzente em seus lábios rosados. Por que ela não podia olhar pra ele daquele jeito também? Por que ela não o amava? O que ele tinha feito de errado?
"E eu acredito que esse jovem cavalheiro seja Kibum, certo?" A mulher com a bebida sorriu pra ele, retirando-o de seus pensamentos. Ela era bonita, curtos cachos dourados caindo sobre seus ombros, e escuros olhos azuis que sorriam gentilmente pra ele como qualquer outra mãe faria... Como ele desejava que sua mãe fizesse...
"Kibum." Ele ouviu sua mãe sibilar ao seu lado, lembrando-o de cumprimentar a pessoa a sua frente.
Rapidamente se curvando de maneira formal, Kibum corou pelo seu erro. Ele sabia que deveria cumprimentar os convidados imediatamente... Sua mãe ficaria bem irritada se ele não o fizesse... "É um prazer conhecê-la, minha senhora, seja bem-vinda a nossa casa." Ele repetiu as palavras que sua mãe tinha lhe ensinado a falar por anos.
"Aww... Ele é tão fofo. Tão educado!" A gentil mulher arfou em deleite, fazendo o menino corar. "Ele tem oito anos, você disse? Ele é alto!"
"Obrigado, minha senhora." Ele se curvou outra vez, sentindo um sorriso escapar de seus lábios. Ele estava feliz... Tão feliz porque a senhora gostava dele. Normalmente, os amigos de sua mãe nem notavam sua presença quando ele estava autorizado a ficar no mesmo cômodo que eles. Era bom quando alguém gostava dele.
"Mas ele não tá um pouquinho... magro?" O homem sentado ao lado do seu pai arqueou uma sobrancelha, olhando pra ele com olhos críticos. "Ele parece fraco."
Com isso, sua mãe ficou tensa ao seu lado e abaixou um pouco sua cabeça, quase como em um pedido de desculpas. "Kibum ainda é uma criança... Ele vai ficar forte."
Ah não...
Ele estava encrencado, ele sabia que estava. O homem grande disse que ele era fraco, e sua mãe quase gritava com ele pra que ele se alimentasse com mais frequência para que pudesse ficar mais forte... E ele não a obedecia. Ele receberia gritos mais tarde se não fizesse nada pra que o homem gostasse dele...!
"Hm... Nós veremos." O homem deu de ombros e seus olhos escuros caíram sobre ele outra vez. "Diga, criança, você sabe por que está aqui?"
"Eu vim pra conhecer meu companheiro..." Ele quase sussurrou, as palavras não querendo deixar a sua boca.
Uma risada sarcástica veio da figura masculina à janela e o garoto sentiu suas bochechas queimarem. Ele não deveria dizer isso? Ele tinha feito algo errado?
O homem mais velho concordou com a cabeça, cruzando suas pernas e se reclinando no sofá. "Isso mesmo. Mas primeiro... Você precisa nos mostrar o que pode fazer."
"Perdão?" Sua mãe perguntou, assustada.
"Eu preciso ver se ele ainda tem o poder que eu presenciei há anos atrás. Ele era somente um bebê quando eu vi. Nós não aprovaremos essa união sem ter certeza disso." O homem disse em uma voz séria e firme, seus olhos penetrantes caindo sobre o jovem garoto que o encarava em horror. "Eu não vou deixar meu filho ser o companheiro de uma criança a menos que ele ainda possa usar aquele poder."
"Meu... poder?" Kibum falou com dificuldade, sabendo perfeitamente que ele ainda não podia controlá-lo completamente. Não era tão simples... Ele nem ao menos sabia como fazia isso...!
"Isso mesmo, criança. Faça. Mostre-nos alguma coisa." O homem apertou seus lábios em uma linha fina, cruzando os braços juntos, esperando.
O menino sentiu seu coração acelerar em pânico. "Senhor... Eu não posso controlar. Só funciona quando-"
"Kibum, faça o que o Sr. Kim mandou!" Sua mãe gritou ao seu lado, olhos assassinos o encarando.
Ele queria chorar. Ele sabia que não podia fazer isso...! Ele não podia controlar o poder! "Mas umma-"
A mulher loira levou uma mão ao joelho de seu marido, olhando com pena para o garoto de olhos marejados. "Nós não deveríamos estressar a criança, yeobo..."
O homem apenas balançou sua cabeça negativamente. "Se ele vai ser o companheiro do meu filho, então eu preciso ter certeza de que ele será capaz de carregar esse título."
"Kibum. Faça isso." Uma profunda e exigente voz masculina veio de sua direita, seu pai olhando pra ele com uma expressão severa.
"Appa." O pequeno garoto soluçou, implorando com seus olhos. Seu peito doía, ofegante de medo, sua cabeça martelava e lágrimas começavam a transbordar sem controle. Ele queria fugir...
"KIBUM, FAÇA O QUE EU DIGO!" Sua mãe gritou histericamente, unhas afiadas se enterrando em seus ombros ossudos.
"Umma..." Ele choramingou, a dor assaltando seu corpo, deixando-o tonto.
Por que ela não o amava? Por que seu pai estava olhando pra ele com tamanho desapontamento?
"UMMA..."
Ele podia ver. Pontos vermelhos aparecendo em sua camisa, as unhas de sua mãe se enterrando mais profundamente pra que ele fizesse algo. Qualquer coisa...
"UMMA!"
Ninguém o amava... Ninguém se importava com ele...
Ele queria desaparecer...
"UMMA, ACORDA!"
Olhos felinos e penetrantes se abriram em choque, seus lábios deixando escapar um alto ruído enquanto seu corpo se levantava com um salto.
Seu peito se movia enquanto ele ofegava pesadamente, sua respiração apressada. Ele podia sentir seu cabelo grudando em sua testa suada, seus lábios tão secos como o deserto, molhados apenas por uma simples lágrima que caía até eles de seus olhos marejados.
O quarto estava escuro, mas ele podia ver uma figura reclinada sobre a cama, uma mão segurando seu ombro, balançando-o para que despertasse. Uma mão masculina, uma mão sem longas e afiadas unhas.
Um sonho.
Outro sonho.
O mesmo sonho.
Se passaram anos... Por que ele não podia simplesmente esquecer...?!
"Key hyung, você tá bem? Você tava choramingando quando eu entrei..." Taemin falou em um tom preocupado, sua mão agora massageando o ombro do mais velho.
Rapidamente limpando seus olhos com as costas de suas mãos, Key sorriu, concordando com a cabeça. Ele estava melhor agora acordado. Muito melhor. "Eu to bem, Minnie. Qual o problema?"
Os lábios do mais novo se abriram em um grande sorriso. "Você foi convocado. Nós vamos a uma caçada."
Caçada. Que palavra desagradável.
Ele se perguntava por que Taemin gostava tanto dela. Ele odiava caçar. Odiava matar.
Taemin mordeu seu lábio quando o mais velho deixou suas costas repousarem outra vez contra a almofada, tentando levantá-lo. "É uma emergência, na verdade, então você deveria se levantar rápido e ir se vestir." Ele alertou.
Key gemeu em irritação, sentando-se na cama cansadamente. "O que foi dessa vez?"
Taemin se apressou até o guarda-roupa e o abriu, procurando por algo dentro. "Um espião nos informou sobre um grande grupo de rebeldes ao norte. Eles estão planejando atacar um grupo de escoteiros que vão estar na floresta pra acampar." O maknae andou até seu amigo e colocou o uniforme dele em seu colo. "Aqui."
Key rolou os olhos. "Clássico."
O mais jovem suspirou em desespero porque o mais velho não estava se movendo rápido o suficiente, e o ajudou a se despir, tirando dele sua camisa de dormir. "Há uma possibilidade de ter feras ao redor também."
O garoto de olhos felinos franziu as sobrancelhas em confusão, deslizando suas pernas pra dentro do macacão de vinil. "Rebeldes e feras não se misturam."
Taemin concordou, ajudando seu amigo a ajustar o uniforme apertado em seu corpo e então subindo o zíper em suas costas. "Esse é o problema. Eles não estão juntos."
Os olhos de Key se arregalaram e um sorriso escapou de seus lábios. "Dois grupos se dirigindo ao mesmo local? Pobres escoteiros, vão levar o susto das suas vidas." Ele riu, prendendo o coldre de arma ao redor da sua cintura.
"Eu espero que não. Nós estamos aqui para pará-los, afinal de contas." Taemin sorriu largamente, pegando a arma do Key da cabeceira.
Key encontrou os olhos animados do mais novo e sorriu tristemente. "Sim..."
Quando ele se juntou ao clã do Onew há anos atrás, ele tinha pensado que por 'caçada' ele quisesse dizer 'caçar humanos' e quase o deixou no mesmo instante.
Ele tinha fugido de seu próprio clã, o clã dos seus pais, e terminado sozinho nas ruas, tentando encontrar um lugar pra ficar, uma nova vida pra viver. Por ter sido criado ao redor de vampiros somente, ele não estava acostumado ao estilo de vida dos humanos. Seus pais o mantiveram preso na mansão desde que ele era pequeno e ele somente saía dela quando eles realmente precisavam levá-lo junto, o que era algo extremamente raro.
Os únicos humanos que ele tinha conhecido eram algumas empregadas que eram contratadas na mansão, e elas eram proibidas de falar com ele.
Quando ele finalmente encontrou uma maneira de escapar dos gigantes muros da mansão... Ele ficou super animado. Ele correu, correu como um prisioneiro que tinha cavado um buraco e escapado da prisão.
Aquela mansão maldita ficava no meio do nada e somente três dias depois ele foi capaz de ver algo com que antes tinha apenas sonhado. Uma cidade. Seul.
Ele ficara assustado. Ele nunca tinha visto tantos humanos, era verdadeiramente assustador.
Sem dinheiro, ele não podia comprar comida e o vírus dentro dele estava começando a precisar de sangue também. Ele não sabia o que fazer.
Ele vinha roubando comida de pessoas para sobreviver, mas não podia mais fazer isso, nunca era suficiente e seu lado vampiresco estava começando a dominar seu corpo.
Em uma noite tudo mudou.
Era fim de tarde e ele estava escondido em um beco escuro. Não era como se ele estivesse com medo do sol, ele o adorava, na verdade. Ele adorava o calor delicioso que encontrava sua pele, beijando-a. Passar anos dentro dos frios muros da mansão dos seus pais o deixara mais pálido que giz e ele nem tinha permissão para ficar por muito tempo nos jardins. Ele não podia deixar de amar o sol, tão brilhante, tão reluzente. Mas para poder se alimentar... Ele precisava ficar nos becos.
A coisa boa sobre os becos escuros era a existência dos ratos gigantes que viviam neles, apesar de seu sangue ser nojento; ele odiava o gosto. Muitos carregavam centenas de doenças e ele mal podia se aproximar deles com aquele maldito cheiro que exalavam. Mas ele não tinha escolha. Ele não podia matar humanos, partia seu coração sentir seus corações bater em pavor, escutar seus gritos horrorizados e sentir seus corpos se encolhendo de dor, lentamente desistindo... Morrendo.
Mas um dia sua sorte mudou.
Ele estava se alimentando e tudo aconteceu em segundos.
O poder que seus pais queriam tanto que ele controlasse... O poder que ele odiava tanto o salvara.
Ele era o que seus pais gostavam de chamar de "Vidente". Ele caía em algum tipo de transe, e em meros segundos recebia visões. Podiam ser do passado ou do futuro, informações que ele não tinha nem mesmo pedido, algo completamente involuntário.
E o que ele viu... Era alguém atrás dele, pronto pra atacar.
Quando abriu seus olhos... Ele se esquivou.
Uma faca tinha sido jogada no chão onde ele tinha estado a meros segundos, e ele correu.
Aquele tinha sido seu primeiro encontro com os rebeldes. Rebeldes, pelo que ele sabia, eram os maiores problemas dos nobres.
Vampiros, ele fora ensinado, eram divididos por classes.
Os mais fortes, a nobreza, eram classe A; esses eram raros porque eram nascidos de ambos pais vampiros. A maioria dos bebês nunca era forte o suficiente pra aceitar o vírus, e muitos terminavam morrendo antes mesmo de nascer.
Os classe B eram aqueles nascidos com um só pai vampiro, o outro humano; eles eram fortes, mas não tanto quando um de sangue totalmente vampiro.
A classe C era a mais comum, aqueles que eram antes humanos e foram infectados e transformados por um classe A ou B.
Os da classe D eram o que eles gostavam de chamar de 'rebeldes'. Eles eram os infectados pelos classe C. A vítima da mordida de um classe C se tornava um vampiro muito mais fraco; entretanto, poucos classe D mantinham suas verdadeiras personalidades, a maioria deles se tornava violenta, criaturas famintas por poder. Eles caçavam em bandos, às vezes liderados por alguém de uma classe superior. Um simples rebelde era fácil de se matar, mas em bandos eles se tornavam muito mais ofensivos. Perigosos.
Ao contrário de vampiros mais fortes como os das classes A, B ou até mesmo C, os vampiros da classe D eram muito mais sensíveis ao sol. O vírus reagia como ácido uma vez em contato com o sol e eles terminavam conseguindo queimaduras bem feias se tivessem contato com a luz do dia por muito tempo.
E então vinha a última classe, a classe E.
Vampiros da classe E eram chamados de Feras. Feras porque eles perderiam sua humanidade completamente, não eram amigáveis com ninguém, nem mesmo aos seus próprios. Eles eram completamente alérgicos ao sol, criaturas da noite somente e viviam somente para matar. Mas também eram raros.
Quando mordido por um rebelde, um classe D, o humano ou morreria ou aceitaria o vírus de alguma forma e se tornaria uma Fera.
A coisa estranha era que, ao contrário dos classe D, que eram um bando de vampiros fracos e loucos, as Feras eram muito fortes, ao ponto de se compararem a alguém da classe C ou B.
Era por isso que pessoas da classe C eram proibidas de morder humanos; as ruas estavam cheias de rebeldes, escórias de que eles não precisavam, e a criação de mais deles significava também mais feras, algo que ninguém mesmo precisava. Essas duas últimas classes deveriam morrer; eles não tinham lugar no mundo, eles eram somente o resultado de um vírus poderoso e se alguém fosse pego criando rebeldes, isso significava a única punição que eles poderiam dar: a morte.
Kibum tinha pensado que pertencia à classe A.
Ele não pertencia.
Sua mãe não o odiava; na verdade, ele nunca a conhecera.
A mulher que ele tinha chamado de mãe por anos... Não era mais que a mulher de seu pai que mal podia aguentar crianças.
Tinham mentido pra ele por dezessete anos. Sua verdadeira mãe era, na verdade, uma humana que havia morrido dando luz a ele. Sua primeira vítima. Ele era um classe B.
Esse era o motivo pelo qual sua suposta mãe nunca o amou, ele não era dela. Ele era o bastardo de alguma humana qualquer.
O problema era: rebeldes odiavam os nobres, fossem classe A ou B, e suas roupas e 'selo' o identificaram. Eles não eram um grupo grande e Key podia facilmente ter acabado com eles, se não estivesse tão fraco; naquele momento... Ele não era nada mais que uma presa fácil.
Mas ele teve sorte.
Ele o encontrou.
Aquela foi a primeira vez que ele viu Lee Jinki. Tudo sobre ele gritava 'classe A' e 'poder' e Kibum nunca pensou que ficaria tão feliz em ver um nobre outra vez.
Atrás daquele homem poderoso vieram mais vampiros, vestidos em uniformes, segurando armas em suas mãos. Eles passaram por Kibum como se ele nem ao menos estivesse ali e exterminaram os rebeldes, seus corpos sendo levados pra longe.
Ainda em choque, Kibum tentou correr. Ele não podia ser reconhecido e levado de volta à mansão, era cedo demais!
Entretanto, uma mão forte o segurou pelo braço, e Kibum pensou que sua liberdade havia terminado. O que ele não esperava... Era o sorriso gentil que aquele vampiro que antes parecia tão assustador e sério lhe deu, perguntando-lhe se ele estava perdido.
Onew lhe deu abrigo. Sendo o líder de um clã, ele deixou que Key entrasse sem questionamentos.
Ele não podia estar mais feliz. Ele tinha ganhado amigos e um novo lar.
Mas o clã do Onew era um tanto diferente do que ele esperava. Não era como o clã da sua família; eles não simplesmente se sentavam e bebiam o dia todo, falando sobre política.
O clã do Onew tinha um propósito. Eles limpavam as ruas de rebeldes e feras. Sua missão era proteger os humanos de sua raça, matar os que matavam e salvar os que ainda podiam ser salvos.
A 'Caçada' era exatamente isso.
Mais que um clã, mais que uma família, eles eram soldados, eles tinham um propósito nobre e todos lutavam pela mesma razão.
"Key hyung!" Uma voz familiar o retirou de seus pensamentos.
Key murmurou uma desculpa, pegando sua arma e a colocando em sua cintura, o mais novo dando a ele um olhar de desaprovação. "Para de viajar, nós estamos com pressa...! Aish..."
Key rolou seus olhos e parou em frente ao espelho, reajustando seu uniforme, a insígnia do clã costurada sobre o coração. Ele era o único que tinha esse uniforme; todos os outros tinham um mais robusto. Por quê? Porque ele não era como os outros soldados.
Ele tinha vinte anos agora e tinha passado três anos naquele clã. Isso dava a ele bastante treino em combate e Onew não era como sua 'mãe' ou seu pai... Ele não o forçava a usar seu poder, não. Onew se tornou um verdadeiro amigo pra ele; ele investiu nele, ajudando-o a aprender, treinar e meditar, mas nada contra sua vontade.
Graças a isso, Key se tornou mais forte e aprendeu a controlar seu poder; mais que isso, ele descobriu o verdadeiro poder de um 'Vidente', o que Onew gostava de chamar de 'Sábio'.
Ter visões não era a parte principal, no final das contas. Ser um Sábio era algo maior, muito maior... E agora ele podia usar esse poder com um decente propósito. Para proteger humanos.
"Eu ouvi que o Mestre vai mandar o Choi com a gente." Taemin comentou, abrindo a porta do quarto, pronto pra sair.
"Choi? Você quer dizer Choi Minho?" Key o seguiu pra fora do quarto até o corredor sem fim que dava para os quartos dos soldados. Eles ficavam, na verdade, no subterrâneo, logo abaixo da mansão.
A maioria dos soldados ficava do lado de fora, vivendo no prédio localizado perto da mansão, mas ao contrário dos quartos subterrâneos, esses eram quartéis em que pessoas dormiam juntas em quartos de dez ou mais.
Os quartos subterrâneos eram reservados para os melhores soltados, capitães e pessoas com trabalhos importantes, como da área de Informática e cientistas.
Ele tinha recebido a escolha de se mudar para os aposentos das classes mais altas da mansão, mas tinha se apegado tanto às pessoas ao redor, algo que ele nunca tinha tido em sua antiga casa, que acabou recusando a oferta. Ele recebera um quarto próximo ao do Taemin, então ele não podia estar mais feliz. Era mais que o suficiente.
O mais novo concordou com a cabeça. "Aquele cara assustador que nunca sorri, sim."
Key fez uma careta, os dois andando pelo corredor. "Isso é estranho. Ele é o braço direito do Onew, nunca sai de perto dele... Isso deve ser mesmo perigoso, afinal." Key curvou sua cabeça em um rápido cumprimento para a jovem soldado que passou no caminho oposto ao deles, sorrindo pra ele.
Taemin concordou outra vez, colocando um dedo nos seus lábios. "Pelo que eu ouvi é um grupo de vinte e sete rebeldes e aproximadamente nove feras."
Os olhos de Key se arregalaram ao máximo. "NOVE?!" Ele gritou e olhou ao redor pra ver se alguém estava por perto. Felizmente não. Ele puxou o maknae pelo braço até um canto escuro e apontou um dedo acusador pra ele. "Como é que você sabe disso?!"
O mais novo corou e olhou pra baixo, um pé se movendo inocentemente. "Eu acidentalmente... Ouvi...?"
Key deixou escapar um alto suspiro, levando uma mão a sua testa. "Você precisa parar de espiar! Isso é rude!"
Taemin balançou sua cabeça freneticamente. "Eu não espiei! Eu ia falar com o Mestre e ouvi vozes dentro do escritório, então..."
"Então você espiou." Key terminou, vitorioso.
O maknae fez sua melhor cara inocente, fazendo um beicinho. "Talvez...?"
Key olhou pra ele com olhos desconfiados.
Oh droga... Ele estava encrencado?
Ele sabia que não deveria espiar o escritório do chefe, mas-
"Me conta mais." Key colocou uma mão no ombro do garoto e o puxou pra fora das sombras, continuando sua caminhada pelo longo corredor.
Taemin sorriu largamente e continuou. "O Mestre estava tentando pensar se ele deveria vir com a gente dessa vez também. Ele acha que essa é uma missão difícil; tentar controlar os humanos, matar as feras e se livrar dos rebeldes. Ele vai mandar seus melhores homens." Ele sorriu, virando-se pra esquerda para subir as escadas que o levavam à cozinha da mansão. Eles podiam usar a escada principal que levava à sala comunal dos soldados, mas eles tinham o hábito de tomar essa rota, sempre se infiltrando pra comer algo no caminho.
"Por que você tá tão animado? Não é como se você fosse." Key o seguiu, pegando uma maçã de uma cesta e a mordendo enquanto caminhava pelo cômodo, abrindo uma porta que dava para o lado de fora.
"O quê?! Por quê?!" Taemin arfou, seus olhos se arregalando em horror.
"Você ainda tá aprendendo e é perigoso demais!" Key disse a ele como se fosse óbvio.
"Eu to aqui há oito meses! Oito!" O maknae gesticulou com os dedos na frente do rosto do seu amigo.
Key rolou os olhos e sorriu estupidamente, afastando as mãos do outro com um tapa. "Ah sim, muito impressionante."
"Arggghhh!" Taemin fez um som frustrado, resmungando logo depois. "Mas ummaaa-"
"Sou eu quem tem te ensinado tudo o que você sabe, eu sei o que você pode ou não fazer. Você só viu uma fera uma vez, você não quer encarar nove delas, acredita em mim." Key disse em um tom sério e parou em frente à grande porta que dava para o grande salão da mansão. "Pra sua própria segurança... Você deveria ficar na mansão." Ele disse, apontando para a direção oposta, para a porta que eles tinham acabado de sair.
"Eu não sou fraco!" O jovem olhou pra ele com olhos desesperados e Key recuou. O motivo pelo qual ele amava tanto caçar era algo que ele não entendia... Às vezes isso o preocupava.
Key suspirou e colocou uma mão na bochecha do garoto. "Eu sei que você não é. Mas essa não parece uma caçada normal. Eu raramente sou convocado e você sabe por quê, toda vez que eles me chamam é um mau presságio. Eu simplesmente me importo com a sua segurança..." Ele disse sinceramente, observando os olhos do seu dongseng se normalizarem, um sorriso suave deixando seus lábios.
Ah cara, era tão bom quando ele respeitava suas decisões. Seria uma merda se ele decidisse contest-
Os lábios do maknae se curvaram em um sorriso estúpido e o garoto o empurrou pro lado, correndo do seu amigo. "Eu vou pedir ao Mestre!"
Key arfou, seus olhos se arregalando. "YAH! LEE TAEMIN! VOLTA AQUI, SEU PEQUENO DEMÔNIO!" Ele gritou, seguindo o mais novo.
O vampiro de olhos felinos resmungou enquanto adentrava o salão principal, vislumbrando cabelos loiros desaparecendo pelas escadas. Maldito mimado! Ele sabia que não deveria correr ali!
Curvando-se levemente em reverência como um pedido de desculpas a alguns nobres sentados nos sofás vermelhos de veludo, Key subiu as escadas, indo em direção ao escritório do líder do clã.
Taemin era provavelmente o único soldado que estava autorizado a entrar nos alojamentos do Onew sem ser expulso pelos guardas. O motivo? Onew era quem o tinha transformado em vampiro. Ele era o seu 'Protegido'.
Ele ainda se lembrava claramente de quando eles o encontraram, nove meses atrás...


Última edição por minkeylover33 em Ter 10 Dez - 0:01:02, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Dom 8 Dez - 18:32:03

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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Seg 9 Dez - 23:42:07

Citação :
Uma pergunta: é muito diferente pra vocês lerem em português brasileiro? Me deu curiosidade! rs

Acho que não faz grande diferença, uma ou outra palavra...

Já gosto da imagem do Jinki...lol

Bem vou ler...

O meu Jinkas é um fofo! Ai só de imaginar o Onew vampiro dá-me uns calores....ahahhahah lembro-
me daquela montagem que fizeste para mim Ju... :oops: 

Bem, eu gostei da história e fiquei curiosa para saber mais. Acho que está muito bem escrita e respira cá para fora bem o género fantasia/fantástico que eu aprecio.   

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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Seg 9 Dez - 23:53:37

Sim sim, Jinki vampiro poderoso faz todo o tipo de coisa com a minha imaginação *o* hahahah

Que bom que você tá gostando! Eu vou postar a 2ª parte do capítulo 1 pra você não ficar na curiosidade! <3
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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Seg 9 Dez - 23:58:44

CAPÍTULO 1 (parte 2/2)


Ele ainda se lembrava claramente de quando eles o encontraram, nove meses atrás...

Flashback
"Rápido! Mexam-se! Mexam-se!"
Um ataque noturno.Típico.
Eram por volta das três da manhã e a lua estava escondida por nuvens cinzentas e nebulosas. Soldados passavam correndo por ele, armas em seus braços, em direção ao próximo bloco. Algumas casas pegavam fogo; gritos podiam ser ouvidos de diferentes direções, seguidos dos barulhos de tiro.
Respiração. Uma respiração pesada podia ainda ser ouvida sobre todo o barulho.
Mas não por muito tempo. Key odiava o som daquela respiração.
Andando lentamente, o vampiro chutou o corpo no chão sob ele.
Um rebelde.
O homem tinha olhos ensanguentados, sua perna estava perdida e seu braço estava sem possibilidade de reparo. Ele arfou por ar, um buraco de bala próximo aos seus pulmões.
Os lábios de Key se franziram em desgosto. Malditos assassinos.
"Nós vamos... Acabar com vocês... B-bastardos!" O homem sibilou, tentando se rastejar pra longe do vampiro armado a sua frente.
Os dedos de Key se apertaram ao redor da sua arma, abaixando-a ao nível do homem. "Deixe essa bala liberá-lo de seu corpo e libertar a sua alma." Ele sussurrou, sem emoção.
Essas criaturas costumavam ser humanos normais no passado, no fundo ele sabia que o que eles faziam não era inteiramente culpa deles, o vírus tinha lhes feito isso. E por essa razão... Eles precisavam morrer.
O homem arfou por ar e deixou escapar uma risada ensandecida. "Você vai ver..! Nós-"
BAM
O vampiro parou ali, dedo no gatilho, observando enquanto a luz dos olhos do homem desaparecia, sangue começando a escorrer por seu rosto pelo buraco em sua testa.
Matar... Certamente era algo fácil de ser feito. Parecia quase natural pra ele agora...
Ele estava prestes a se virar e sair quando algo cruzou sua mente. Um rápido vislumbre de uma imagem borrada, sons confusos reverberando dentro de sua cabeça.
Isso era o que ele gostava de chamar de 'aviso'. Era como seu poder funcionava; era assim que ele recebia suas premonições.
Key fechou seus olhos, a imagem assaltando sua mente outra vez, muito mais clara agora.
"Não... Não faça isso..! Taemin..!" Ele podia ouvir a voz de alguém dentro de sua mente. Havia sombras e fogo ao redor... Risadas e alguém estava-...
Dois segundos. E então nada. A cena simplesmente desapareceu, deixando que Key a decifrasse por si mesmo.
Abrindo seus olhos, o vampiro procurou ao redor por uma casa em chamas. Alguém estava em perigo..!
"Parece que nós terminamos aqui." Uma voz disse atrás dele, assustando-o.
Key se virou, o guarda-costas de Onew, Choi Minho, olhando pra ele com uma expressão séria, sua mão ensanguentada segurando uma longa espada. Key direcionou sua atenção ao par de casas em chamas ao final da rua. "Não, não terminamos."
O vampiro mais alto deu a ele um olhar questionador, franzindo suas sobrancelhas. "Você viu algo?"
Key ignorou a pergunta e começou a correr na direção das casas, seus olhos rapidamente procurando por quaisquer sinais de pessoas dentro, Minho seguindo logo atrás. "Alguém... Aqui."
"Onde?" O guarda-costas perguntou, seu punho se fechando ao redor da espada.
"Ali...!" Key apontou para a terceira casa, uma sombra se movendo próxima à janela no primeiro andar.
O que eles fizeram era cruel. Era difícil imaginar que os rebeldes foram na verdade bons humanos no passado. Eles eram criaturas doentes, loucas por poder. Eles matavam por prazer, riam pela morte de pessoas inocentes, dançavam ao redor delas, comemoravam a sua morte. Às vezes... Key se perguntava quem eram as verdadeiras feras.
Entrar na casa em chamas não foi fácil. A madeira tinha começado a cair, tapetes e cortinas rapidamente espalhando o fogo ao redor. Rebeldes odiavam fogo... Ele se perguntava por que eles ainda estavam ali...
"Não... Não faça isso..! Taemin..!"
Os olhos de Key se arregalaram. Merda.
Minho chutou a porta em frente a eles, duas rebeldes dentro, rindo.
Não levou menos de um segundo pra ver a espada do guarda-costas voar pelo cômodo, sangue sendo derramado pelas paredes brancas enquanto duas cabeças voavam para o chão, os corpos ainda de pé, a espada entalhada na parede atrás deles.
Key olhou pra baixo, uma cabeça loira rolando, atingindo seu pé. Ele a chutou pra longe casualmente, os corpos caindo no chão a sua frente. Mas ele não estava prestando atenção neles, não; sua atenção estava em outro lugar. Em outra pessoa.
Um garoto. Uma vítima. Vivo e respirando, curvado no chão próximo a outro corpo morto.
Seus olhos vasculharam o cô mulher de meia-idade estava repousada contra o sofá, sua cabeça inclinada para o lado, sua garganta aberta ao meio. Key estremeceu; os olhos da mulher estavam abertos, sem alma. Trilhas de lágrimas desciam por suas bochechas.
Ele já podia imaginar o que havia acontecido ali. Aqueles bastardos... Fizeram a criança assistir a morte de sua mãe.
Criaturas sem coração...
"Hyung... Fica longe."
Key olhou Minho e seguiu seu olhar irado. Merda.
Ele podia ouvir respirações desesperadas misturadas com suspiros e soluços vindos do garoto; suas mãos enterradas profundamente no corpo a sua frente, sangue começando a emergir dele, enquanto suas unhas afundavam no corpo do homem morto por segurá-lo com força.
O menino no chão estava se alimentando do humano... O homem que só podia ser seu pai... Era tarde demais...
Minho suspirou e foi pegar sua espada da parede. "O corpo dele aceitou o vírus. Ele vai virar uma fera. Eu vou matá-lo."
O coração de Key se apertou.
O garoto era lindo... Por que tinham que fazer isso com ele? Por que eles fizeram isso com essa família? Com essa vila?
O garoto tinha cabelos loiros escuros, agora ensanguentados; tinha traços femininos, mas maçãs do rosto masculinas, pele perfeita e lábios cheios. E agora... Ele estava se tornando um fera. Ele tinha sobrevivido ao lado venenoso do vírus e tinha recebido o cruel destino de viver para se tornar o que todos temiam, um perigoso corpo sem alma, controlado pela fome por carne e pela sede por sangue.
Eles não tinham escolha. O menino estava perdido; ele morreria para encontrar seus pais novamente, para se libertar dessa cruel maldição.
Key fez uma careta, sentindo seu pé colidir com algo sólido.
Ele olhou pra baixo e pegou o que parecia um porta-retratos quebrado. Uma foto de família.
Ali estava ele, o mesmo garoto, parecendo um pouco mais novo, sorrindo largamente para a câmera enquanto segurava o braço de seu pai. Perto dele estava sua mãe segurando algo em seus braços... Um bebê. Uma menininha.
Merda. O garoto tinha uma irmã... E ele não tinha sentido nenhuma criança na casa... Ela estava provavelmente morta agora.
Esses...bastados...cruéis.
"O que aconteceu aqui?" Uma voz profunda e aveludada perguntou atrás dele.
Key pulou em surpresa e se virou. "Hyung! Por favor, não faz isso! Você me assustou!" Ele arfou, levando uma mão ao seu peito.
Minho caminhou até eles, espada em mãos. "Uma família completamente massacrada. O menino se transformou em uma fera, mas nós estamos prestes a exterminá-lo, senhor." Ele reportou, seus olhos nunca abandonando o garoto no chão, pronto pra atacar se ele fizesse algo suspeito.
Onew franziu o rosto, pegando o porta-retratos da mão de seu amigo. Olhos escuros encararam a imagem, suas pupilas se dilatando levemente. "E a garota?"
"Garota?" O soldado repetiu em confusão.
Key olhou pra baixo, balançando a cabeça. "Sem sinais dela."
O vampiro mais velho suspirou, olhos fixos na foto. "Entendo..."
Minho olhou ao redor, parecendo impaciente enquanto as cortinas ao redor deles começavam a queimar também, o fogo rapidamente se alastrando dentro do cômodo. "Se você me permite, eu vou matá-lo agora enquanto ele ainda está fraco. Nós deveríamos terminar logo aqui e voltar."
Key concordou com a cabeça. A casa estava prestes a desabar e mais humanos viriam em breve. Os corpos dos rebeldes tinham sido removidos da rua a essa altura e os humanos mortos voltariam para suas casas, fazendo tudo parecer um grande acidente. O que eles diriam dessa vez? Uma massiva explosão? Um serial killer? O que quer que fosse que decidissem inventar, eles realmente deveriam sai-
"Não."
"Não?" Key repetiu, olhos se arregalando pela resposta do líder, Minho rapidamente copiando o mesmo olhar chocado. O que ele queria dizer com 'não'?
O mais velho se aproximou do garoto e se ajoelhou em frente a ele, suspendendo seu queixo. Seus olhos estavam desfocados, vermelhos, cobertos de lágrimas e suas íris estavam dilatadas ao máximo; escorria sangue de sua boca, pequenas presas ainda delicadas, narinas se movendo rapidamente no ritmo de seu desespero, respiração acelerada. "Pobre menino... Ele passou por muita coisa... Ter que assistir sua família morrer... E se alimentar deles pra sobreviver."
O coração de Key pulou uma batida, seus olhos se arregalando pela visão de uma nova lágrima rolando pelas bochechas do garoto.
Feras... Não choram, certo? Feras são feitas pra serem criaturas furiosas e sem alma. Esse garoto realmente entendeu o que Onew tinha dito?
"Senhor..!" O vampiro mais alto chamou, lembrando-o da casa em chamas ao redor deles.
Onew afagou os cabelos loiros do menino, assistindo seus olhos molhados se moverem ao redor do cômodo em confusão, lábios cheios e rosados choramingando de dor. "Ainda há esperança pra ele."
"O que você quer dizer?" Key franziu o rosto. Ele não podia falar sério. Ele tinha lutado contra muitas feras antes; elas eram selvagens, completamente descontroladas e ferozes. Uma vez mordido e infectado não havia remédio que curaria sua doença.
O líder se levantou, segurando o garoto pelo colarinho de sua camisa, levantando-o com facilidade, ignorando seus gritos de dor. "Minho, junte os soldados. Nós acabamos por hoje. Nós vamos encontrá-lo em breve." Ele comandou, segurando os pulsos do garoto.
O guarda-costas o encarou em confusão. "Mas, senhor, a fera-"
O mais velho o olhou fixamente, o garoto assustado gritando sob suas mãos. "Eu vou cuidar dele. Vai."
Minho olhou pra baixo, seus lábios franzidos em irritação. Ele não concordava com isso, era ilegal tentar ajudar uma fera, ilegal mantê-la viva... Mas ele era um soldado. E soldados têm que respeitar as ordens de seus líderes, obedecê-las e permanecerem calados. "Sim, senhor... Como o senhor desejar." Ele se curvou em reverência antes de correr pra fora do cômodo.
Key sentiu sua cabeça girar. O que infernos estava acontecendo?! Onew estava pensando seriamente em ajudar o garoto?
Olhos felinos encararam em choque enquanto o líder segurava o garoto no lugar, movendo-o pra longe de qualquer corpo morto para que ele não se alimentasse de ninguém mais. Onew... Não queria que ele se alimentasse de sangue humano. E isso só poderia significar uma coisa...
Depois de ser mordido, o vírus iria alcançar o sistema da vítima e atacar suas células, infectando-as. Isso causaria um grande choque, fazendo o corpo colapsar e o coração parar de bater por alguns minutos, dando tempo ao vírus de se espalhar e rapidamente fazer seu trabalho, provendo ao corpo uma nova forma, criando suas presas.
Seus antigos caninos humanos cairiam em minutos, novos dentes rasgariam a gengiva, causando uma dor excruciante. Aquela dor era forte o suficiente para dar ao cérebro forças para reiniciar o coração, acordando-o da morte temporária.
Devido a essa 'morte temporária', memórias seriam apagadas do cérebro da vítima. Esse era o problema mais sério do vírus: eles não simplesmente perderiam algumas memórias, mas tudo o que aprenderam. Às vezes feras precisam aprender a caminhar outra vez, a correr e a pular, esquecendo-se até mesmo de como falar. Depois de 'renascer', a mente da fera trabalha como a de um animal; e elas só sabem de uma coisa, que precisam se alimentar.
Alimentar-se de sangue humano daria força à fera, mas também daria ao vírus poder, tornando a pessoa mais animalesca e menos humana. Por isso as feras eram tão temidas e perigosas, elas eram selvagens, violentas e simplesmente sem controle. Eram animais.
A maioria dos classe C não perdem suas memórias; se isso acontece, é porque a pessoa que a mordeu não é muito poderosa. Rebeldes perdem parte de suas memórias, mas não completamente, fazendo-os capazes de viver em sociedade e interagir normalmente com pessoas; somente feras perdem todo seu passado.
A maioria das lendas diz que vampiros são imortais. Eles não são.
Um vampiro de classe A ou B tem uma vida um tanto mais longa, mas nada extraordinário. O motivo pelo qual isso é dito é simplesmente porque vampiros precisam beber sangue para alimentar o vírus, para se manter vivos; e sangue humano significa novas células, o que quer dizer que sua pele nunca realmente se enruga muito ou ganha marcas da idade como a dos humanos. Mas eles não são imortais. Não mesmo.
Eles não são muito diferentes dos humanos; eles são só... Uma raça infectada.
Aquele garoto já tinha completado os primeiros processos da transformação. Ele não tinha mais memórias do seu passado e só sabia que precisava de sangue pra sobreviver. O vírus estava implorando por isso.
"O que tá acontecendo?" Key perguntou, observando o líder retirar seu cinto e amarrar as mãos do garoto contra suas costas, deixando-o imóvel. O garoto estava arfando, seus olhos começando a se revirar, suor cobrindo seu rosto contorcido de dor. Ele estava ficando com febre. Sem se alimentar, o vírus enfraqueceria, mas isso também significaria a morte do corpo.
Key não conseguia entender nada mais. Ele estava lentamente matando o garoto. Se ele o queria morto, por que eles não podia simplesmente dar a ele uma morte rápida e limpa? Por que torturá-lo assim? "O que você tá fazendo?"
"Algo que eu não deveria." O mais velho disse, levantando o garoto e colocando-o em seus ombros, chutando a cabeça ensanguentada de um rebelde pra fora do seu caminho enquanto andava até a porta."Vem. É perigoso demais ficar aqui."
Key sentia como se estivesse sonhando. Ele nunca se sentira tão confuso antes.
O clã do Onew era criado para proteger humanos e outros vampiros das feras e dos rebeldes, e agora ele estava carregando um nos seus ombros? Mas que diabos?!
Desde que chegou ao clã, Key foi treinado para não sentir pena dessas raças, para entender que eles não eram mais racionais, que eles eram assassinos cruéis e que não havia lugar no mundo pra eles.
Onew era quem sempre dizia a mesma coisa antes de mandá-los pra batalha: 'Não deixem sobreviventes, limpem todos os corpos.' Então por quê? O que o fez mudar de opinião? Ele, dentre todas as pessoas?
Com sua cabeça começando a doer, Key seguiu o líder pra fora, pronto pra enchê-lo com perguntas assim que estivessem em um lugar seguro.
O mais velho escolheu o parque da vila para colocar o garoto no chão, escondido por grandes arbustos e árvores, longe da casa.
"Eu realmente apreciaria uma explicação pra isso." Key cruzou seus braços contra o peito, observando o líder futilmente tentando fazer o garoto se sentar. O vampiro rolou seus olhos. O menino não tinha se alimentado, o que ele esperava? Ele estava fraco demais até mesmo pra respirar normalmente!
"Nós não precisamos matá-lo."
"O que você quer dizer?!" Key sentiu vontade de gritar. Onew realmente sentia pelo garoto! Por quê? Por que ele era diferente dos outros humanos que eles viram se transformar em feras?
"Ainda existe esperança pra ele." O líder disse em um sussurro, sua mão se esticando até a testa do garoto. "Uma pequena chance... Mas ainda uma chance."
"Chance? Esperança?" Key perguntou, desconcertado. "Eu pensei que não tivesse volta pra uma fera! Você mesmo me disse isso!"
"Não tem." Onew concordou, olhos escuros olhando nos do Key. "Mas ele não é uma fera ainda."
O quê?
Não é ainda? Mas o vírus...as presas..!
O mais velho olhou de volta para o loiro deitado na grama, seu corpo começando a convulsionar. Ele agora precisava urgentemente de novo sangue. "O vírus ainda não completou o processo. Ele ainda não se transformou... Eu posso salvá-lo."
Key congelou.
Ele ia perguntar algo já sabendo a resposta, mas... Ele precisava ter certeza. "Como?"
"Dando meu sangue a ele..."

Fim do Flashback

Key podia se lembrar como se fosse ontem.
No momento seguinte, o líder tinha rasgado a manga da camisa dele, mordido seu próprio pulso e guiado o menino até o seu braço.
Tinha sido horrível. O modo como Taemin cheirava o sangue, reagindo imediatamente, lambendo, sugando o pulso do líder como um lobo selvagem.
Ele se lembrava de como a pele do garoto tinha ganhado cor novamente, suas íris se focado, suas mãos ganhado força, unhas se enterrando nos braços do líder enquanto ele sugava o sangue freneticamente.
Fora ele quem o empurrou pra longe quando Onew disse que ele não precisava de mais, que tinha sido mais que suficiente.
Sangue... Era a maior droga dos vampiros. Cada sangue tinha seu próprio gosto, cada um era diferente e cheirava diferente. O sangue de um classe A... Era o mais viciante de todos. Era dito ser o mais doce, o que cegaria seus sentidos e agiria como um afrodisíaco natural, fazendo com que fosse difícil de parar.
Taemin só podia se lembrar de oito meses da sua nova vida. Poucas pessoas sabiam a verdade; poucas sabiam que ele não estava ali por oito meses, mas nove.
Eles nunca disseram a verdade a ele. Eles nunca disseram a ele que ele quase se tornou uma fera, nunca disseram que ele tinha sido trancado nas masmorras por um mês inteiro, sendo cuidadosamente observado por cientistas e sob os olhos cuidadosos de Onew e Key.
Eles nunca tiveram certeza se ele conseguiria. Seu corpo podia ou aceitar o sangue puro do Onew, permitindo-o limpar o sangue infectado do rebelde, tornando-o um classe C, um vampiro normal ao invés de uma fera, ou ele podia morrer, se seu corpo não resistisse às drásticas mudanças repentinas em seu sistema.
Felizmente, e quase como um milagre... O menino abriu seus olhos um mês depois.
E ele não os abriu pra gritar e urrar como uma fera faria...como ele vinha fazendo nas primeiras semanas. Gradualmente, o garoto se tornou menos selvagem; correntes não eram mais necessárias depois de um tempo e ele não atacava mais as pessoas que se aproximavam da jaula.
Sim, uma jaula.
Porque Taemin não tinha sido exatamente uma Bela Adormecida depois de receber o sangue do Onew.
Key viu isso. Ele viu tudo. Ele não conhecia nada do garoto a essa altura, mas... Estando lá com ele, observando-o vomitar sangue, às vezes o aceitando, às vezes o rejeitando; gemendo de febre, seu corpo encharcado de suor... Ele sentiu como se tivesse que protegê-lo.
Às vezes ele parecia estar possuído, gritando, segurando-se nas barras da jaula como um animal selvagem e fazendo Key se perguntar se ele teria algum dia a chance de se tornar algo diferente, se ele sobreviveria.
A única coisa que ele sabia sobre o garoto era que seu nome era Taemin. Nada mais.
Por ser o 'Protegido' do Onew, já que os vampiros davam àqueles que tinham sido transformados por eles o seu nome, Taemin recebeu seu sobrenome. Agora ele era Lee Taemin, não mais uma fera escondida nas masmorras, longe dos olhos do clã, longe de todos, preso em uma jaula, preso por correntes... Ele era mais que isso. Muito mais.
No segundo em que o garoto ganhou consciência e olhou ao redor em confusão, perguntando onde estava, quem eram as pessoas a sua frente, Onew soube que precisava fazer uma escolha. Ele podia contar a ele a verdade do que tinha acontecido, como sua família tinha sido exterminada, como ele o tinha salvado e como ele tinha se tornado uma fera... Ou ele podia simplesmente mentir, poupar o garoto da dor.
Ele escolhera mentir.
Taemin nunca soube que ele tinha quase se tornado uma fera. Não, ele recebeu uma mentira; ele pensava que tinha sido criado em um orfanato e que Onew o salvara da morte depois de um incêndio, transformando-o em um vampiro. Era uma mentira barata, mas... Tinha funcionado.
Taemin via Onew como um irmão mais velho, seu salvador, seu herói, e Key não podia dizer que isso não era justo; Onew realmente o salvara, no fim das contas. Mas não de um incêndio, não da morte que ele tinha lhe contado.
Tinha sido estranho. Eles não sabiam quantas memórias o garoto tinha perdido e nos primeiros dias eles lidaram com suas palavras cuidadosamente. A verdade era que a mente de Taemin era como uma página em branco, pronta pra ser escrita. Ele não podia lembrar nada da sua 'vida anterior', mas ele sabia como andar, como falar e agir em sociedade.
Se Onew não tivesse estado lá pra afastar Taemin dos corpos, impedindo-o de se alimentar... Nada disso teria sido possível. O processo teria se completado e Taemin seria somente outra criatura sem alma, outra fera a se matar e tornar cinzas.
Key tinha se tornado seu tutor a pedido do Onew.
Ele tinha protestado, dito que não era professor, que ele nunca poderia ensinar à criança como o mundo deles funcionava, que era difícil demais. Ele terminou fazendo do mesmo jeito.
Taemin era um garoto esperto e aprendia rápido, para a felicidade de Key. Eles tinham criado uma ligação depois de um tempo e Key não podia deixar de repreender o menino fofo por aí como uma mãe faria.
Por ser o Protegido do líder, o que era um grande título, Taemin era visto e tratado como um jovem príncipe na mansão. Onew queria mantê-lo afastado de qualquer perigo, criá-lo como parte da nobreza. Isso nunca aconteceu.
Taemin entraria escondido para assistir enquanto Key treinava com os outros soldados. Ele fez isso tantas vezes que Onew foi forçado a deixá-lo se juntar ao exército, dando ao Key a missão de ensiná-lo outra vez, dessa vez a lutar.
Key não podia deixar de sorrir. Ele vira o menino renascer, sobreviver, chorar e sorrir; ele tinha estado ali para vê-lo adormecer, para acordá-lo, ele sabia como ele franzia suas sobrancelhas em concentração enquanto ele lhe ensinava novos movimentos ou técnicas... Ele se sentia como uma mãe orgulhosa observando seu filho crescer.
Mas Taemin tinha sido uma criança rebelde desde o começo e agora... Ele queria ir com eles. Bem, droga.
Sim, o garoto podia se defender a essa altura, ele tinha estado em pequenas missões sob os olhos protetores de Key, mas... Isso era real! Essa não era uma pequena batalha!
Com passos apressados, Key atravessou o corredor, alcançando a última e maior porta... para o escritório do Onew.
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CruorCorvus
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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Ter 10 Dez - 12:44:48

OIEEEEEEEEEE!
Ya, andei desaparecida mesmo ><
Até do AFF ando desaparecida devido ao trabalho/vida etc.
Espero que gostem da leitura, admito que nao era capaz de traduzir nada, dá muito trabalho xD
Respeito muito quem o faz ><
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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Ter 10 Dez - 14:06:33

Olá desaparecida!  :) 

Bem coitado do Taemin. lol Claro que o senhor Onew o salvou. lol Eu a ser super biased here! lol

Estou a sentir a falta do Jonghyun...lol quando aparece esse cromo?

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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Ter 10 Dez - 14:26:31

O Jonghyun aparece no segundo capitulo ^^
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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Ter 10 Dez - 14:32:20

Ok é chato mas tenho que fazer o meu papel de moderadora >.< minkeylover33 tem cuidado com o double post ok? ( postar muitas vezes seguidas)

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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Ter 10 Dez - 16:05:13

Ju mantém a ordem no galinheiro!  :D 


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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Qua 11 Dez - 14:28:24

Juu escreveu:
Ok é chato mas tenho que fazer o meu papel de moderadora >.< minkeylover33 tem cuidado com o double post ok? ( postar muitas vezes seguidas)

Ok, Ju, sorry! Não sabia dessa info, não vai mais acontecer ^^

-

Simmmmmm, o Jjong faz sua aparição maravilhosa no próximo capítulo! hahah

Eu também amo o Onew aqui, esse ar de poder em torno dele é o máximo. E viva por ter salvo o maknae \o/

 :26: 
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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Qua 11 Dez - 17:39:09

Vim aqui dar meu apoio, mesmo que eu já tenha lido até a ultima atualização no AFF. Eu amo essa história <3 obrigada por estar traduzindo, assim outras pessoas podem ler também~
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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Qua 11 Dez - 19:20:11

Bem é só fãs!   

Que venham os próximos capítulos então...

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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Qua 11 Dez - 22:37:32

jjongsaurus escreveu:
Vim aqui dar meu apoio, mesmo que eu já tenha lido até a ultima atualização no AFF. Eu amo essa história <3 obrigada por estar traduzindo, assim outras pessoas podem ler também~

Awwwww, obrigada *-* Essa história é mesmo maravilhosa, não é? Sim, espero que muitas pessoas mais possam ler, seja pela tradução ou pela original!

A linda da autora merece um abraço dos grandes por essa perfeição <33 (Ouviu, CruosCorvus? :oops: hahah)


-

Devo postar o capítulo 2 hoje mesmo, vou só dar uma revisada!

 :flower: 
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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Qua 11 Dez - 22:55:17

É sempre bom ver a versão da minha verdadeira lingua ^^
Como já disse, tenho que agradecer a todas as pessoas que gastam o seu tempo a traduzir os meus trabalhos, a todas as que os lêm aqui e a todas as que lêm no AFF que já sao 3707.

I LOVE YOU RAVENS!!!! x3
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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Qua 11 Dez - 23:18:07

Então, ao capítulo 2. Ah, e eu preciso cortá-los pela metade porque não cabem em um post só D:

________________________________________

CAPÍTULO 2 – DECISÕES PERIGOSAS (parte 1/2)

(“Mas... Uma chance ainda é uma chance.”)


Onew sorriu, dedos pálidos removendo seus óculos e os colocando sobre a mesa. “Eu não vejo por que não.”
Key gostava do escritório do Onew. Era simplesmente um fato, ele amava o lugar.
As cadeiras eram extremamente confortáveis, havia algumas esculturas espalhadas pelo cômodo e as paredes eram decoradas com largas prateleiras de livros; Key não podia deixar de entrar furtivamente às vezes para pegar algo para ler e mantê-lo entretido quando não tinha nada mais a fazer.
O cômodo era bem clássico e tinha um certo toque Vitoriano, o que ele amava. Atrás da larga mesa de madeira, havia uma lareira de aparência antiga e sobre ela a Insígnia do Clã.
Normalmente Onew se sentava à mesa, trabalhando duro enquanto Minho se encontrava parado a sua esquerda, sempre imóvel e silencioso como uma estátua, assim como um verdadeiro soldado faria. Às vezes Key até mesmo se esquecia de que ele era um ser vivo. Ele se perguntava como diabos alguém podia ficar quieto por tanto tempo..! Ele não sabia se admirava ou sentia pena do guarda-costas por ser desse jeito.
Naquele escritório, muitas decisões importantes eram feitas regularmente e Key não podia negar que Onew ficava sexy em suas roupas usualmente formais e elegantes, seus óculos repousando em seu nariz enquanto ele dava ordens estritas aos seus soldados. Ele admirava seu amigo, ele realmente admirava. Onew era inteligente e sempre tinha um plano B para tudo, ele sempre mantinha a calma em toda situação e tinha aquela postura madura, aquele sentimento fortemente autoritário ao redor dele.
Key pensava que ele era verdadeiramente louvável e que tomava as melhores decisões em todas as situações.
Até aquele dia.
Para seu completo horror, Onew podia ser bem idiota às vezes.
“O quê?!” Key gritou, olhos se arregalando em choque enquanto Taemin arfava em surpresa, um largo sorriso crescendo em seus lábios.
“Ah, obrigado, obrigado, obrigado!!!” O mais novo guinchou, abraçando o pescoço do líder e pulando em deleite. “Eu te amo, Mestre!”
O homem sentado à mesa simplesmente sorriu, divertido pela reação do adolescente. Atrás dele, a sua esquerda, o alto guarda-costas também arregalava seus olhos, surpreso pela resposta.
Key balançou a cabeça, recusando-se a aceitar essa decisão. “O quê?! Não, não, não, não! Ele não pode ir!”
Onew deu uma risadinha para o seu amigo superprotetor e deu de ombros. “Ele é bastante capaz; eu já o vi treinar com você. Você vem fazendo um bom trabalho com ele.” Ele disse, Taemin concordando com a cabeça vigorosamente, um sorriso feliz nunca deixando seu rosto.
Key, entretanto, não estava feliz. Nem um pouco. “Mas ele não tá pronto! Essa não é uma pequena e fácil missão, é?!” Ele queria gritar, e dar um tapa no líder para trazê-lo ao bom-senso. Como ele podia deixar o adolescente ir?! Ele enfrentaria feras lá! Mais que uma!
Onew concordou. “Não, não será fácil. Por isso nós precisamos de todos em batalha.”
O quê?!
“Pelo amor de deus! Ele nunca encarou uma fera antes! Você quer que ele morra?!” Key gritou, sua mão automaticamente empurrando um livro que estava na mesa, fazendo-o voar para o outro lado do escritório.
“Já sim!” Taemin respondeu, franzindo o rosto em irritação enquanto Onew encarava o pobre livro no chão. Por algum motivo, quando a diva ficava nervosa, algo sempre acabava quebrado ou rasgado em pedaços. O livro teve sorte aquela noite.
“Você viu uma fera, você não lutou com ela! Eu lutei!” Key gritou de volta, apontando para si mesmo.
O mais novo deu uma risada sarcástica. “Óbvio! Você não me deixou!”
“Claro que não! Porque você. não. está. pronto!” O outro vampiro rebateu antes de se voltar para o líder mais uma vez. “Não. Não, isso não vai acontecer. Eu não posso deixá-lo ir. Eu vou precisar me concentrar e eu não posso ficar olhando por ele!”
O garoto loiro grunhiu, irritado. “Então não faça isso! Eu posso me defender!”
Key rolou seus olhos da maneira mais dramática possível.
Claro. Ele estaria totalmente focado nos inimigos sabendo que um certo maknae podia estar tendo sua cabeça arrancada por alguma fera e sem ajuda ao redor. Claro! Ele estaria totalmente relaxado! “Não é só-argh! Olha, você não pode ir! Você não tá pronto! Fim de papo!”
“Se eu nunca tiver permissão para ir em missões maiores, eu nunca vou estar!” O mais novo rebateu ainda mais alto, seus olhos começando a marejar.
O homem mais velho concordou, coçando um ponto atrás de sua orelha. “Ele tem um ponto válido...”
“De que lado você tá, Jinki?!” Key resmungou, acenando os braços furiosamente. Sério! E ele pensava que o líder era inteligente! “Ele não sabe como lutar com uma fera! Você não entende essa parte? Você foi mordido por um inseto-de-idiotice-épica ou algo assim? Jesus!”
Onew suspirou audivelmente. Se qualquer outra pessoa ousasse dizer algo assim para ele, ele teria provavelmente servido sua cabeça no jantar. Mas esse era Kibum, a diva superprotetora que uma vez furiosa o suficiente, nem mesmo um milagre poderia acalmar. Ele estava acostumado a essa altura.
“Eu concordo com Kibum. Ele não deveria vir. Ele ainda é muito jovem e só causaria problema e perturbação.” Uma nova voz se juntou à conversa, fazendo todos se calarem e olharem pra cima em surpresa.
Taemin congelou, olhando para o dono da voz profunda e quase desconhecida, Choi Minho. “E-eu não vou...”
Onew esfregou sua testa e suspirou outra vez. Alguém tinha que terminar com essa disputa. “Ah, bem... Sinto muito, Tae. Key ainda é seu tutor e ele sabe das suas habilidades melhor que eu. Se ele acha que é melhor que você fique em casa por enquanto, então você precisa obedecê-lo.” Ele disse em uma voz suave, esperando que o maknae entend-
Os olhos de Taemin se arregalaram em alarme. “O quê?! Mas você disse que-!”
“Eu posso ser o líder, mas não sou seu tutor. Eu confio no Key o suficiente pra saber que ele só quer o melhor pra você.” O mais velho o cortou, olhando para baixo. Ele já podia sentir um ataque...
O garoto loiro uniu seus lábios nervosamente, seus punhos se apertando. Ele olhou para os adultos, seus olhos brilhando perigosamente perto de deixar uma lágrima rolar. “Eu to cansado disso! Eu não sou mais uma criança! Parem de me tratar como seu eu fosse inútil!” Ele gritou.
Key sentiu algo dentro dele se quebrar.
Não, não, não. Ele não podia suportar ver seu bebê chorar...! “Taemin...”
“Eu vou pro meu quarto...” O maknae lutou contra um soluço, andando rapidamente até a porta, uma mão limpando seu rosto.
“Taemin! Taemin!” Key correu atrás dele, apenas para ver a porta se batendo em sua cara.
Droga.
Isso não era justo...
Ele só estava tentando protegê-lo! Ele não podia ver isso?!
Mordendo seus lábios, Key se virou para encarar os dois outros homens. Onew deu a ele um olhar apreensivo e sorriu tristemente. “Não se preocupa... Ele vai entender.”
“Aigo... Eu fui duro demais?” Key perguntou em um sussurro, preocupação escrita em todo seu rosto.
O líder balançou a cabeça. “Você fez o que achou que era melhor. Mas você sabe que vai ter que deixá-lo sair mais... Ele não é exatamente uma donzela em perigo e nós dois sabemos disso. Eu já o vi lutar. Ele é bom.” Ele deu ao seu amigo um sorriso encorajador.
O outro concordou. Ele sabia disso, era ele quem o treinava para ser assim, afinal de contas. “Eu sei... Mas não essa noite. Só não essa noite.”
Onew estava prestes a dizer algo quando alguém bateu na porta antes de abri-la, uma cabeça aparecendo. “Senhor, posso entrar?”
“Por favor.” O líder respondeu, rapidamente pegando seus óculos outra vez.
Era impressionante, Key pensou, como Onew podia rapidamente mudar seu humor na frente das outras pessoas. Em um segundo ele era Jinki, seu melhor amigo de sorriso idiota, que sempre tinha palavras gentis para acalmar seu coração, e no outro segundo ele era Onew, o líder astuto, sábio, estrito e de aparência intimidadora.
“Comandante Kwan, você vai mover suas tropas ao Sul e emboscar os rebeldes. Nós vamos fazer isso de forma rápida e limpa. Nós não podemos atrair as feras pra ainda mais perto dos humanos.” Key balançou seus pensamentos pra longe e se focou na voz do líder, Onew se inclinando em sua mesa, olhando um mapa aberto nela. “Eu espero que você tenha homens prontos para qualquer tipo de assistência médica, e tente deixar as vãs fora da floresta. Eu não preciso de outra explodindo.”
Key não pode deixar de bufar, quebrando o silêncio. Comandante Kwan, um homem ao redor dos cinquenta anos, olhou pra baixo em vergonha, obviamente culpado pela acusação indireta.
Onew olhou pra cima e apontou sua caneta para a diva, continuando sua explicação. “Kibum, você vai para o Norte com as tropas do Minho. Vocês vão trabalhar juntos e eu espero o melhor de vocês. Vocês são meus melhores homens. Não deixem, e eu repito isso, não deixem as feras cruzarem o rio. Se eles alcançarem as tropas do Kwan, nós vamos ter um conflito maior que já temos e vidas serão colocadas em perigo.”
“Sim, senhor.” Minho respondeu automaticamente, fazendo Key rolar seus olhos. O guarda-costas era tão obediente e formal que o irritava. Ele não estava no exército, pelo amor de deus! Onew queria disciplina, sim, mas não era como se ele não tivesse permissão pra falar normalmente; especialmente já que eles se conheciam há tanto tempo.
Onew então se virou pra ele. “Kibum... você vai ser a chave dessa operação, eu preciso que você esteja focado ao máximo. Mantenha seus olhos abertos e sua mente ainda mais.” O homem deu a ele um olhar de confiança, batendo de leve em sua própria cabeça duas vezes.
O vampiro loiro concordou com a cabeça, sorrindo um pouco. “Eu vou, não se preocupe.”
O jovem líder levantou sua cabeça para olhar os homens a sua frente e retirou seus óculos, colocando-os de volta na mesa.
Seus olhos perpassaram seus soldados em uma avaliação silenciosa.
O Comandante Kwan era velho, mas tinha muito energia em seus ossos; ele tinha sido do exército nos seus dias de juventude e o tinha servido bem até agora. Ele sabia como comandar as tropas e como persuadi-los, dando aos seus homens coragem para as batalhas.
Minho era um soldado bem treinado, provavelmente seu melhor. O vampiro sempre mantinha  a cabeça fria em situações difíceis e calculava cada movimento dos inimigos. Ele era rápido e mortal, não demonstrava pena por nenhuma criatura que não se enquadrava nos padrões da sociedade ou agia suspeitamente ao seu redor. Ele era quieto, mas poderoso, sempre focado, e tinha o caráter e a coragem de um verdadeiro guerreiro.
E então vinha Kibum, a ‘Chave’ [Key], a arma secreta do clã.
Key não era exatamente um bom lutador quando ele o encontrou e acolheu. O garoto era disciplinado, sim, mas não de uma boa maneira. Ele era guiado e controlado pelo medo, sempre suspeitando das pessoas que agiam gentilmente ao seu redor, fazendo com que fosse difícil pra Onew quebrar suas paredes defensivas e tentar entendê-lo melhor.
O garoto, entretanto, era mais poderoso que ele tinha esperado. Parecendo frágil e fraco, Onew sempre pensou que ele nunca seria uma boa adição às tropas. Mas não... O garoto carregava algo incrível dentro dele. Como um Oráculo, Key tinha recebido o poder de olhar no futuro, ele era um Vidente.
Tinham lhe custado meses de pesquisa, passando a maior parte do seu tempo dentro da biblioteca, tentando encontrar qualquer coisa que o ajudaria a saber mais sobre o raro poder que seu soldado carregava. Então ele o encontrou, em um livro muito antigo que ele só tinha visto uma vez quando criança, um livro de mitos, um livro que seu avô tinha lhe dado há muito tempo atrás. Porém, isso não era mito.
Um ano depois, Kibum estava pronto. Dominando seus verdadeiros poder de Vidente, Kibum começou a ser chamado de ‘Key’, não só um apelido, mas uma posição, um título.
Key podia fazer mais que simplesmente ter vislumbres do futuro e os alertar de ataques repentinos ou movimentos inesperados, ele era um Sábio.
Tinha sido um choque quando ele viu pela primeira vez, a pálida energia azul como uma névoa emanando do corpo do Key enquanto ele meditava, dançando ao seu redor em lentos movimentos.
Depois, com muito trabalho duro e treino, Key pode finalmente controlar a energia. Não tinha sido fácil, não mesmo. O vampiro mais novo tinha chorado em frustração por muitas noites, corpo e mente doendo de exaustão... Mas ele ainda o fez. Key era o tipo de pessoa que faria qualquer coisa que queria e por causa dessa atitude persistente... Ele conseguiu. Ele podia usar mais que simplesmente sua mente e arma no campo de batalha; ele podia usar a energia dentro dele, o poder de um Sábio.
Três soldados bem treinados estavam parados a sua frente, servindo ao seu propósito, leais a ele e ao seu clã, e ele não podia deixar de se sentir orgulhoso.
Olhando para o relógio dourado em sua mesa, o líder respirou profundamente. Era hora de ir.
Onew curvou um pouco sua cabeça, fechando seus olhos. “Que a chama da morte liberte os amaldiçoados e assopre suas cinzas para a eterna condenação. Que o sangue do inocente queime dentre do seu corpo e alma.” O líder de cabelos castanhos murmurou sua oração pessoal, um pedido por justiça, vingança.
“Que aquele que derrame sangue do homem, pelo homem tenha seu sangue derramado.” Os três soldados terminaram a citação, em sincronia.
O líder do clã sorriu, abrindo seus olhos. “Boa sorte, garotos.”


“Mexam-se, mexam-se! Rápido!” Minho gritou do enorme e verde veículo militar blindado, soldados correndo por ele, armas automáticas em seus braços. "Tomem suas posições!"
Botas escuras tocaram o chão, Key saltando do veículo também. Ele olhou em volta, observando as árvores balançarem suas folhas, enquanto o vento soprava através delas.
Com seu macacão preto apertado abraçando seu corpo quase de uma forma sedutora, Key suspirou, passando preguiçosamente pelo Minho, que revirou os olhos em irritação.
Key observou enquanto o guarda-costas dava ordens às tropas, fazendo-os correr mais profundamente para a floresta, até que eles chegassem ao local indicado. Mas Key tinha um problema, ele odiava correr. Ao invés disso, ele andou, seus ouvidos capturando cada som, seus olhos capturando cada movimento, seu nariz capturando cada cheiro.
E algo cheirava estranho.
Sangue.
“Para!”
Minho olhou ao redor, encarando-o. “Eu não vou te carregar! Se move logo!”
“Chama as tropas de volta!” Key gritou, correndo até o outro.
O soldado fez uma careta. “O quê?! Você tá louco?! Nós preci-”
“Nós estamos atrasados. Eles já estão aqui.” Key rebateu, o cheiro de sangue se tornando mais forte. Como diabos ele não percebeu isso ainda?!
"Você tá falando bobagem. Os espiões teriam nos avisado se algo assim acontecesse!" Minho gritou de volta, sua paciência se esgotando.
Key queria estrangulá-lo. “Eles não poderiam.”
“E por que não?” O vampiro mais alto desafiou o outro a falar.
"Eles estão mortos." Key apontou para cima, o olhar do Minho seguindo a direção de sua mão antes de arregalar os olhos em horror, uma gota de sangue caindo sobre seu rosto.
Logo acima deles, presos nas árvores, estavam três soldados, completamente ensanguentados, ramos apoiando o seu peso.
Quase como uma piada de mau gosto proposital, um dos ramos se quebrou, um corpo atingindo o chão em frente a eles, o som mórbido de ossos se quebrando enchendo seus ouvidos.
“Merda.” Minho chiou antes de correr até os agora chocados soldados. “Todos pra trás! Estejam prontos! Eles já estão aqui!”
Key fez uma cara de nojo, o cadáver debaixo dele com os olhos e queixo faltando, um pulmão lentamente escorregando para fora de uma abertura enorme no peito do homem. O trabalho das garras de uma fera. "É por isso que eu não queria que o Taemin viesse..." Ele murmurou para si mesmo.
“Kim, Kim! Aqui é o Comandante Kwan. O alvo atacou! Eu repito! O alvo atacou! Câmbio.”
Key pulou ao som repentino da voz masculina e pegou o rádio portátil em seu cinto. "Afirmativo. Nossos espiões foram vistos e eliminados. Devemos estar perto das feras. Existe algum humano vivo? Câmbio." Ele disse, observando enquanto Minho dava ordens para os soldados não muito longe.
“Afirmativo. Nós nos encontramos em breve. Fica ligado, os rebeldes estão se movendo na sua direção. Eu repito. Eles estão se movendo na sua direção. Eles cruzaram o rio. Câmbio.”
Merda.
Primeiro o ataque das feras e agora os rebeldes, assim como Onew disse que não deveria acontecer. Eles estavam cercados.
Merda, merda, merda.
“Kibum..!” Minho o chamou.
Key olhou para cima, ruídos vindo do outro lado da floresta. Aqueles bastardos eram rápidos!
Suspirando, o vampiro apertou o dispositivo de comunicação contra seus lábios. "Eu posso ouvi-los. Por favor, mova-se rapidamente. Para fora."
Minho empunhou sua espada, segurando-a no ar. “Em suas posições! Estejam prontos!”
As tropas se focaram na direção das árvores obedientemente.
Estava escuro na floresta. Escuro como breu. Key gemeu, sua mão rapidamente segurando sua arma. Era como se as lanternas nos capacetes da tropa não fossem suficientemente brilhantes.
“Esperem pelo sinal!” Ele ouviu Minho gritar.
Merda.
Algo estava errado, algo estava-
Dentes. Garras.
Sombras  escuras em movimento, correndo a uma velocidade animalesca. Eles grunhiam, rugindo por entre as árvores, quebrando galhos enquanto passavam por eles. Aproximando-se mais, mais e mais, e-

Uma visão.
Key abriu seus olhos em horror, olhos castanho-escuros se iluminando em uma luz caramelo automaticamente.
“Esquece o sinal! Atrás de você!” Key gritou do topo dos seus pulmões, rapidamente se virando, seus dedos se apertando ao redor do gatilho da arma. “Fogo, agora!”
Minho se virou também, arregalando os olhos para o repentino som de rosnados se aproximando deles, o som de galhos se quebrando. "FERAS! Abrir fogo! "
Levou uma fração de segundo.
No momento seguinte, algo pesado colidiu com ele, algo grande.
Olhos totalmente pretos encontraram os dele, fazendo Key arfar audivelmente. Dizem que os olhos são a janela da alma; feras não tinham alma, os olhos deles eram completa escuridão e corrupção.
Ele não esperou que a grande mão com garras se movesse até o seu rosto. Ele atirou.
Tudo aconteceu tão rápido que Key mal podia ouvir sua própria respiração batendo rapidamente, tomado pela adrenalina.
Um grito de dor foi escutado sobre ele e soava como música para os seus ouvidos, encorajando-o a atirar outra vez.
Uma, duas, três, quatro balas deixaram sua arma, entrando profundamente no corpo da fera.
Key chiou, chutando o monstro pra longe dele, levantando-se rapidamente. Aquelas coisas eram muito mais difíceis de se matar que vampiros comuns. Criaturas nojentas!
Ele colocou um pé no peito da fera, prendendo-a, segurando-a no lugar enquanto atirava outra vez. Dessa vez, sua bala foi direto na cabeça, parando os sons de dor da criatura. Pronto.
Key olhou ao redor, tentando atualizar a situação atual em seu cérebro.
Gritos, tiros, pessoas gritando, feras rugindo, pessoas correndo...
Os rebeldes os tinham alcançado e as tropas estavam tendo dificuldades para se defender deles e das feras ao mesmo tempo.
Onde estava o Comandante?
“KIBUM!”
As orelhas de Key se contraíram ao ouvir o som do seu nome. Ele olhou a sua direita; Minho estava cercado por duas feras, sua espada no chão, não muito longe.
As criaturas eram ligeiramente mais altas que o vampiro; elas deram pequenos passos na direção dele, profundos e poderosos rosnados deixando suas gargantas.
Feras eram usualmente robustas, altas e fortes. Atirar em seus corpos lhes causaria dor, mas não seria suficiente para matá-las de uma vez. O cérebro. Para matá-las instantaneamente era necessário atirar na cabeça. Ele teria feito isso se fosse uma fera, mas duas... Mesmo que ele matasse uma, a outra ainda atacaria Minho.
Ele não tinha escolha.
“VOCÊ PODE SE APRESSAR?!” O guarda-costas gritou, seus olhos dourados brilhando no escuro.
Olhos dourados se abriram, seus longos dedos pálidos dançando ao redor de uma fina névoa de energia, faixas de uma substância azul delicadamente se movendo pelo ar como uma cobra. Não era sólidas, não eram afiadas, nada mais eram que uma luz azul emanando do seu corpo, movendo-se ao redor dele em círculos... Tão lindas e inofensivas...
ZAAP!
Até que ele desejasse que elas fossem.
Key sorriu estupidamente enquanto as luzes azuis faziam seu caminho até a fera, entrando em seu corpo, passando pelo Minho e entrando na outra fera também, segurando as duas no lugar como uma grande corda. Aquela luz antes inofensiva tinha se tornado sólida dentro das criaturas e Key podia quase sentir o sangue jorrando de seus estômagos.
O guarda-costas se moveu para pegar sua espada, olhando para o outro vampiro, esperando por um sinal.
Key lutou contra a vontade de rolar seus olhos. “Só mata elas logo! Elas são fortes demais, vão se soltar uma hora ou outra!” O loiro gritou, sentindo os batimentos raivosos das feras pela conexão entre eles, seus corpos fortes tentando se mover pra fora da linha de energia.
Key gemeu. Ele não ia deixá-las escapar assim..!
As duas feras gritaram em agonia, fazendo Key sorrir, suas presas aparecendo. “Queima, não é?” Ele sibilou, lambendo seus lábios.
Com um único movimento, a cabeça de uma das feras caiu, a espada do Minho brilhando sob a luz da lua, a lâmina prateada agora banhada em vermelho.
Key congelou, a imagem de uma adaga vindo em sua direção aparecendo em sua mente. Merda.
Sentindo a conexão entre ele e a fera se quebrar, Key se desviou, uma adaga passando por cima dele, atingindo um de seus soldados nas costas.
Isso era algo que ele não podia fazer; conseguir controlar seu poder com a mente e ter visões ao mesmo tempo, Key descobriu, não dava certo. Era demais para sua mente aguentar e um deles tinha que ceder para que o outro funcionasse.
Seu poder não era nada mais que uma criação em sua mente, uma imagem. Tinham lhe custado meses para entender isso, pra sentir e fazer a imagem se solidificar, fazer com que ela fosse o que ele queria. Uma arma.
Começou sendo somente uma estranha névoa azul, então ele a fez ganhar a forma de algumas linhas; logo ele estava pegando uma maçã em árvores com ela, sentindo como se fosse sua própria mão a segurando.
Energia. Seu poder era sua força da mente trabalhando em sincronia com seu corpo.
Agora... As mesmas linhas azuis podiam cortar pelos corpos dos inimigos como se não fosse nada... E então se tornar sólidas se ele desejasse, fazendo suas entranhas estourarem, abrindo buracos dolorosos dentro deles.
Controle da mente, era tudo isso.
“Você parece delicioso...” Uma desconhecida voz grossa deu uma risadinha ao seu lado, língua traçando uma linha pela sua orelha lentamente. “Delícia...”
Key estremeceu com o toque, sentindo mãos segurarem seus punhos, segurando-os contra suas costas, mantendo-o preso no chão. Droga..!
Dois rebeldes estavam ali, um acima dele, agora segurando uma faca próxima ao seu pescoço, enquanto sua outra mão puxava seu cabelo, o outro a sua frente segundo a arma de um dos homens do seu clã, mirando diretamente nele.
“Nós só queríamos um lanchinho noturno, que crueldade de vocês nos pararem assim. Tinha o suficiente pra todo mundo.” O cara com a arma falou.
“Eu não bebo sangue inocente.” Key o encarou, sentindo a lâmina tocar sua pele. Os dois vampiros riram, claramente divertidos pela resposta. Isso... Riam enquanto podem...
“Ele é tão fofo.” O vampiro sobre ele deu uma risadinha. “Eu quero comê-lo.”
Key estremeceu outra vez, sentindo uma vibração familiar acariciar seu corpo, uma energia azul envolvendo sua mão. Só mais um segundo...
O vampiro com a arma sorriu e se ajoelhou em frente a ele, pressionando a arma contra sua testa. “Bem, eu espero que você não se importe se a gente beber o seu então.”
Key sorriu largamente. “Peguei você.”
O homem olhou pra ele em confusão antes que seus olhos se arregalassem, a substância azul-clara se rastejando pelo seu braço, repentinamente se apertando ao redor dele. O vampiro armado gritou em horror, seu braço sendo esmagado e arrancado, sangue o atingindo no rosto, correndo pelo seu queixo. A arma caiu no chão, sua mão ainda a segurando, dedos ainda se movendo, contraindo-se e se curvando como uma aranha morrendo.
“S-seu estranho!” O rebelde sobre ele gritou, apertando a lâmina com mais força contra seu pescoço, sua mão tremendo de medo.
Key rolou os olhos. Ele estava prestes a fazer o vampiro voar pra longe dele quando um som familiar de couro atingiu o ar. Um chicote.
Os olhos de Key se arregalaram.
Ah, inferno, não.
Ele sentiu o rebelde ser puxado pra longe dele e rapidamente se levantou, olhos arregalados em choque ao ver seu agressor jogado no chão, chicote apertado ao redor do seu pescoço, sufocando-o. Os olhos de Key se levantaram, botas familiares, uniforme familiar, luvas familiares...
“Umma! Você tá bem? Ele te machucou?!” E uma voz familiar.
“O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO AQUI?!” Key gritou a plenos pulmões, pegando sua arma e atirando no vampiro irritante e prestes a morrer, sufocando sob o chicote.
“Salvando você?” Taemin sorriu inocentemente, puxando o chicote de volta.
Key queria gritar. Ou arrancar seus próprios cabelos. Ele realmente não podia decidir. “Lee Taemin... Eu juro que você vai-”
“O que ele tá fazendo aqui?!” A voz do Minho gritou em surpresa não muito longe.
“Como se eu soubesse!” Key gritou de volta, virando-se na direção do guarda-costas, observando-o arrastar uma fêmea rebelde pelo cabelo. Que cavalheiro ele era.
“Você o deixou vir?!” O soldado arfou, ignorando o alto grito da garota sob ele. Ela já tinha tomado um tiro, e mais de uma vez pela aparência dos buracos ensanguentados na sua blusa.
Key deu a ele um olhar surpreso antes de concordar com a cabeça, sorrindo. “Ah sim, eu de repente mudei de ideia e o escondi no meu bolso-CLARO QUE NÃO!” Ele gritou com raiva, atirando na cabeça da garota. “E vocês dois podem simplesmente dar a eles uma morte rápida?! Eu odeio choro!”
Com passos apressados, outro homem se juntou a eles, o Comandante Kwan segurando sua arma, olhando pra eles em choque. “O que todos vocês estão fazendo aqui? Eu espero que não estejam tirando uma pausa pra beber chá!”
Minho corou furiosamente de vergonha, jogando a garota morta no chão. “C-Claro que não, senhor!”
Os lábios de Taemin se contorceram, lutando contra um sorriso enquanto observava o guarda-costas sair, correndo pra dentro da floresta onde tiros ainda podiam ser ouvidos.
O Comandante simplesmente balançou sua cabeça e se virou pra Key. “As feras se moveram pro norte. Eu já mandei meus homens pra lá. Não se incomode com os rebeldes mais, eles estão quase exterminados e aqueles que tentaram escapar têm meus garotos atrás deles. Eu vou ajudar o Choi.” O homem disse antes de correr, alguns soldados o seguindo para a escuridão.
Key se sentiu entorpecido.
Ele tinha feras pra pegar e um bebê vampiro pra cuidar. Ótimo.
O vampiro mais velho simplesmente encarou o loiro sorridente e apontou um dedo acusador pra ele. “Onew vai saber disso...”
O sorriso de Taemin só aumentou. “Eu sei.”
A audácia!
Aquela criança tinha algum tipo de demônio dentro dela!
Key gemeu em frustração. Bem, ele já estava ali; não tinha motivo pra tentar fazê-lo voltar agora. “...Só fica a salvo, ok? Eu juro que vou te fazer voltar da morte pra te matar de novo se você ousar ser morto essa noite!” Ele olhou pra baixo, preocupação tomando seus sentidos. Era tão difícil dizer essas palavras...!
“Eu também te amo, hyung!” Taemin sorriu de felicidade pela aprovação do seu tutor, pulando nos braços dele, abraçando seu pescoço. “Obrigado por essa chance!”
“Vai logo! Segue o Comandante Kwan e não sai do lado dele!” Key o puxou pra longe, orgulhoso demais pra retornar o abraço do mais novo.
Taemin simplesmente concordou e correu. “Vejo você depois, hyung!”
“Fica a salvo!” Key não pode deixar de gritar, observando o loiro correr atrás dos outros soldados, chicote ao redor do seu ombro.
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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    Qua 11 Dez - 23:22:35

CAPÍTULO 2 - DECISÕES PERIGOSAS (parte 2/2)

Key suspirou, agora completamente sozinho, cercado por corpos.
Ele precisava se focar.
Fechando seus olhos, o vampiro respirou fundo, sentindo as batidas do seu coração se acalmarem progressivamente. Ele estava procurando no fundo da sua mente por algo, uma pista, uma imagem, qualquer coisa...
Ele só precisava encontrar uma fera. Fazer o que ele tinha sido treinado pra fazer. Encontrá-las e matá-las.
Ele sentiu. Ele sentiu algo chegando.
Como um pequeno choque de eletricidade, seu corpo ficou entorpecido, sua mente viajando para outro lugar.
Havia o som de água e alguém gemendo de dor.
“Nnnh..”
Sangue estava escorrendo por uma camisa listrada azul e branca, uma mão se movendo para o estômago pra cobrir a ferida.

Key abriu os olhos.
Alguém estava ferido perto do rio? Com uma blusa azul? Um humano?
O vampiro fez uma careta, incerto do que fazer. Ele deveria estar caçando feras, não salvando um humano... Esse não era seu trabalho; eles tinham pessoas pra fazer esse tipo de coisa. Eles tinham outras unidades que agiriam logo depois que eles terminassem, procurando por pessoas machucadas e retirando os mortos, limpando o lugar de qualquer vestígio de luta.
Não, ele não deveria fazer isso.
Balançando sua cabeça, Key deu alguns passos ao norte, onde ele realmente deveria ir. Mas...
...Ele realmente odiava pessoas chorando.
Ele não demoraria muito... Eles poderiam lidar com as coisas sem ele por um tempo, certo?
Lamentando-se pela sua própria fraqueza, Key se virou para o lado oposto, andando na direção do rio.
O vampiro olhou ao redor enquanto andava, corpos de rebeldes jogados pelo chão, às vezes alguns dos soldados do clã entre eles. Mortos.
Eles tinham perdas também, era algo com que eles precisavam lidar toda vez que recebiam uma nova missão.
Depois de alguns minutos, Key finalmente ouviu. O som da água.
Seguindo sua audição perfeita e afiada, o vampiro loiro vagou pelas árvores, tentando capturar o som de alguém choramingando.
O garoto já estava morto?
Ele parou ali, irritado consigo mesmo. Teria ele feito todo esse percurso simplesmente pra encontrar outro corpo? Ele realmente não deveria confiar em todas as suas visões... Ele deveria estar lá fora caçando as coisas reais! Argh! Onew iria reclamar tanto!
“Nnnh..”
Olhos felinos se abriram em surpresa, o som mais próximo que ele esperava.
“Aghhh…ahh..!”
Ainda suspeitando, Key segurou sua arma enquanto se aproximava.
Movendo-se lentamente, com cuidado para não fazer qualquer ruído, o vampiro se escondeu atrás de uma grande árvore.
“Aghh…”
Lentamente, o vampiro espiou por trás da árvore, pronto pra atirar a qualquer movimento suspeito. Uma coisa a que ele estava acostumado a essa altura era a não confiar em ninguém. Machucado ou saudável, vivo ou morto, ninguém.
Felinos olhos dourados se arregalaram pela figura no chão.
Uma fera.
Key lutou contra a vontade de sibilar, seus instintos defensivos de vampiro dando sinais de vida.
O garoto não tinha se tornado uma fera há muito tempo, suas roupas deixavam isso claro. Ele tinha sido vítima do ataque dos rebeldes, um dos humanos do grupo de escoteiros. Entretanto... Ele não se parecia nada com um escoteiro. Escoteiros não podiam usar braceletes nem roupas casuais, certo?
Não importava agora. O garoto estava perdido; seus olhos já eram pretos, pequenas pupilas adquirindo uma cor prateada, o inverso de um olho comum, o olho de uma Fera, o olho do corrupto e do indesejado.
Saindo do seu esconderijo, Key apontou a arma para a fera, pronto pra atacar a qualquer momento. Feras não eram nada mais que animais, eles nem ao menos se importariam com a dor se eles vissem outra pessoa, eles simplesmente atacavam como criaturas selvagens e violentas.
Entretanto...
Íris como mercúrio envoltas por escuridão olharam dentro das suas caramelo-dourado.
Como se atingido por um feitiço, Key congelou, seus dedos entorpecidos ao redor da sua arma. Ele não apertou o gatilho. Ele não podia.
Por quê?
Por que ele não podia matar a fera?
O que estava acontecendo?
Uma lágrima caiu dos olhos do garoto, percorrendo suas altas maçãs do rosto, descendo até seu queixo.
Uma lágrima.
Key sentiu algo se quebrar dentro de si. Feras não choravam.
Feras não ficavam quietas no chão enquanto um estranho se aproximava. Era impossível.
Poderia o garoto ainda não ser uma fera? Não. Isso era absurdo. O processo estava completo; os olhos dele já tinham mudado. Ele não era nada mais que um hospedeiro agora, um corpo sem uma alma.
Seus dedos se apertaram lentamente sobre o gatilho, sua respiração se acelerando, tornando-se perigosamente irregular.
O que ele estava pensando? Seu trabalho era matar todas elas! Todas as feras deveriam morrer, elas não eram nada mais que criações amaldiçoadas de algo já corrompido!
Taemin…
Olhos dourados se arregalaram, sua mão gradualmente perdendo força ao redor da arma.
Não. Taemin era diferente; Taemin não tinha completado o processo quando Onew o salvou, até porque o sangue de Onew não era como o seu, ele era um puro-sangue, muito mais forte que ele mesmo...! Ele não podia possivelmente estar considerando a ideia de-
“Arrghhh..”
Em instinto, ele apontou a arma para a fera machucada outra vez.  
O que ele estava fazendo? Perdendo tempo por ter pensamentos estúpidos e incoerentes! Ele precisava ir para o norte!
Respirando fundo, Key tentou ignorar os resmungos de dor da fera, observando as mãos do garoto cobrindo o buraco onde a bala o tinha atingido. “Que a chama da morte liberte o amaldiçoado...e assopre suas cinzas em eterna condenação...” Ele sussurrou a oração do clã, sua mão tremendo ao redor da arma. Sua visão estava embaçada, sua boca seca, suas mãos fracas...e seu coração...doía.
Por que o garoto parecia ainda ser humano? Ele era uma fera. Por que ele não o atacava? Por que ele chorava?
“Nnnhm…”
Key olhou pra baixo, a fera agora olhando diretamente pra ele.
“Isso, isso! Vamos lá! Pula... Levanta e ataca! Aja como a criatura que você é!” Key gritou nervosamente. Ele sabia que não podia atirar em ninguém sem um motivo. Ele precisava que o atacassem primeiro, ter certeza de que eram perigosos. E esse...por que ele não podia agir como os outros?!
A fera simplesmente desviou o olhar, seus olhos se fechando em derrota, sua respiração pesada e descompassada.
Key desistiu, sua mão caindo em derrota.
O que havia de errado com essa fera?!
Aproximando-se, Key sentiu seu coração se acelerar em adrenalina. Medo.
Medo de ser atacado, medo de cair em uma armadilha. Medo de morrer.
Ele não era idiota. Ele sabia o quão fortes e letais feras eram; ele podia lutar com elas, sim, mas isso não significava que ele não tinha medo.
Com sua arma agora dentro do coldre, Key se aproximou da fera, parando em frente a ela.
Ele não podia acreditar. Ele nunca havia estado tão perto de uma fera por tempo o suficiente pra notar o quão escuros seus olhos eram, como suas garras pareciam longas e afiadas.
O garoto...a fera...era...
“...tão estranhamente bonito...” Ele sussurrou pra si mesmo, franzindo o cenho em confusão enquanto sentia vontade de tocar a criatura machucada.
Key olhou pra baixo, a ferida ainda perdendo sangue, a mão da fera a cobrindo.
Olhos pretos olharam pra ele debilmente, fazendo Key pular quando um calafrio passou por seu corpo. Ele nunca tinha contato visual com uma fera...era...assustador.
“Huhmm...” A fera choramingou outra vez e Key não pode deixar de encarar enquanto outra lágrima escorria pela bochecha do garoto.
“Impossível...” Key sussurrou, ajoelhando-se para olhar melhor. Uma lágrima. Uma lágrima de verdade. Não tinha sido sua imaginação. O garoto...ainda tinha uma alma no fundo...certo?
O que ele faria agora?
Os lábios do garoto pareciam secos, sem sinal de sangue...então ele ainda não tinha se alimentado. Seu primeiro contato com sangue não tinha sido feito. Talvez...ele tenha sido acertado pela bala antes de ser mordido, fazendo-o fraco demais pra caçar. Era possível, certo?
Isso significava...que de alguma forma...o garoto era como Taemin.
A diferença era que Taemin nunca tinha se transformado em uma fera completa...e esse garoto sim. Mas...ele ainda não tinha se alimentado. Ele estava vazio, morrendo lentamente enquanto a sede levava sua vida embora.
Curioso mas assustado, tremendo mas se sentindo ousado, Key levantou sua mão, as pontas dos seus dedos lentamente se esticando até o rosto do garoto.
Quando olhos escuros se moveram pra encontrar os seus outra vez, sua mão rapidamente se afastou de novo.
“Por que você não é como os outros?” Key sussurrou em fascinação, observando enquanto a ponta de seus dedos alcançavam a pele da fera outra vez. Bem...lentamente...fazendo contato com a bochecha da fera.
Ele fez isso.
O garoto não arrancou seu braço fora; ao invés disso, ele continuou olhando pra ele, profundos olhos pretos piscando lentamente como uma pessoa faria.
Um estranho sentimento de felicidade explodiu dentro do vampiro, percebendo que a Fera não tinha intenção de atacá-lo. Ele era...inocente. Assim como uma criança, um filhote. Ele não era perigoso...
Dedos pálidos acariciaram a pele bronzeada, olhos pretos se fechando ao toque, pequenas respirações escapando os lábios da fera.
Key estava aterrorizado.
Ele queria proteger o garoto.
Ele queria...salvá-lo.
Repentinamente, Key notou algo brilhante pelo canto dos seus olhos. Ele olhou pra baixo, o brilho vindo do pulso do garoto, um bracelete prateado sendo tocado pela luz da lua. Tinham letras nele. Sendo curioso como era, a mão do vampiro lentamente caminhou pra baixo, virando o bracelete pra ele pra que pudesse ter um melhor ângulo e ler a inscrição.
“Jonghyun?” Ele sussurrou pra si mesmo. “E... Sekyung?”
O vampiro olhou para o garoto machucado, um sorriso escapando dos seus lábios. “Um bracelete de casal? Você com certeza é uma fera melosa. Não é de se estranhar que você não morda.” Ele queria rir de sua própria piada.
Por que ele repentinamente se sentia tão confortável ao redor da fera? Ele estava seriamente louco agora...
“Você realmente sabe como confundir as pessoas, não é?” Key perguntou, seus olhos nunca deixando o rosto do garoto, notando o quão pontudo era seu nariz, quão angular eram as maçãs do seu rosto. “O que eu vou fazer com você agora, huh?”
Levantando-se outra vez, Key olhou para o garoto desolado sentado contra uma árvore, silenciosamente o encarando com interesse.
“Eu não sou um puro-sangue... Eu não posso salvar você como Onew fez com o Taemin...” O vampiro deu alguns passos ao redor da área, braços cruzados contra o peito. “Mas...meio que me dói ter que matar você. Por que você não podia simplesmente me atacar? As coisas seriam muito mais fáceis assim...” Ele suspirou audivelmente, gemendo em estresse.
Ele não queria deixá-lo pra morrer!
Ele odiava morte, ele não tinha feito nada mais que lutar pra salvar pessoas inocentes desde que entrou no clã, ele não podia deixar o garoto pra morrer!
Mas que outra opção ele tinha?
Ele podia ao menos...diminuir sua dor.
Sim. Isso ele podia fazer.
Retornando ao lado da fera, Key se ajoelhou frente a ele, olhando nos olhos do garoto intensamente. Ele estava prestes a fazer algo que ele nunca tinha sonhado em fazer antes... “Eu não sei se você pode me entender... Mas se você puder... Eu vou remover a bala de você, ok?” Ele segurou a fera, esperando por algum tipo de aprovação. Não houve nenhum.
Key suspirou. Ele era um idiota.
Feras eram animais, eles não entendiam nada, e ele sabia que não.
Eles se esqueciam de tudo depois de serem transformados. Por que ele estava falando com ele se ele não entendia?
“Ignora a coisa brilhante girando ao seu redor, ok? Pensa nisso como uma cura das fadas ou algo assim.” Key disse ainda, lentamente movendo a mão da fera pra longe do buraco em seu estômago. Ouch. Aquilo parecia ruim.
“Só, por favor, não me ataque enquanto eu to tentando salvar seu traseiro.” Ele riu nervosamente antes de abrir a camisa da criatura, revelando o buraco de bala no corpo do outro.
Olhando pra cima outra vez, os olhos do Key se tornaram dourados, fazendo contato visual com sua fera. Ele levantou uma mão alto o suficiente para que o outro visse, uma névoa azul o contornando, dançando entre seus dedos. “Viu? Sou só eu. Isso é parte de mim, não vai te machucar. Eu não sei por que você confia em mim...mas...eu fico feliz por isso...”
Movendo sua mão pra baixo, Key observou enquanto as finas linhas azuis se esticavam para a ferida, entrando nela.
Key fechou seus olhos, sua mente agora preenchida por visões de sangue e carne. As entranhas de Jonghyun.
Ele não era médico ou enfermeiro, não tinha a mínima ideia do que estava fazendo, mas ele sabia que tinha que tirar a bala antes que começasse a ficar infeccionado.
Key estremeceu, sua mente sendo atacada por imagens de sangue. O sangue de uma fera...era tão estranho...tão assustador.
Ele podia ouvir...correndo por dentro das veias do garoto, o som do batimento da fera... Ele podia ver...células de um ser humano normal ainda sendo atacadas, transformando-se em um profundo roxo. O vírus.
“Arghhh!”
Ali.
A bala!
Mantendo seus olhos fechados, Key sentiu a agora familiar sensação de segurar coisas com o poder da sua mente. Lentamente envolvendo a névoa de energia ao redor da bala, ele começou a puxá-la.
A fera pulou de dor, gritando em voz alta e os instintos do Key o tomaram, suas mãos pressionaram as costas dele contra a árvore para mantê-lo parado. “Calma...calma... Tá quase saindo!”
O grito que se seguiu foi de sangrar os ouvidos, a fera finalmente mostrando um pouco da sua natureza agressiva quando ele empurrou o loiro pra longe, rugindo de dor, mãos cobrindo sua ferida aberta.
Key respirou fundo, o peso de metal em sua mão.
Graças a deus a criatura estava fraca ou, ao invés de ter sido empurrado para o chão, ele teria sido mandado voando pra uma árvore.
Levantando-se outra vez, Key mostrou a bala à fera. “Aqui... Viu? Nós tiramos..!”
O outro simplesmente encarou, sua testa suando, peito se elevando e baixando rapidamente em uma desesperada imitação de respiração.
“E você ainda tá morrendo.” Key jogou a bala pra longe, bufando, mãos na cabeça. Ele realmente tinha vontade de arrancar seus cabelos. “Deus, o que eu vou fazer?!”
Irritado consigo mesmo, confuso e cansado, Key se sentou no chão em silêncio, o som do rio e a respiração pesada da fera machucada como sua única companhia.
Que chances ele tinha de salvá-lo?
Ele estava morrendo de sede, precisando de sangue novo pra alimentar o vírus dentro dele. A dieta de uma fera consistia de sangue humano; ao bebê-lo, eles ganhariam força e se tornariam mais o que eles deveriam ser, monstros selvagens.
Mas... E sangue de vampiro?
O que aconteceria se uma fera recebesse sangue vampiro como sua primeira e essencial refeição?
Depois de se transformar, a natureza de um vampiro e seu poder seriam determinados pela qualidade do sangue recebido. Taemin, por exemplo... Ele tinha quase se transformado em uma fera quando atacado por rebeldes. Já que ele era antes um humano, o vírus o tinha corrompido, e mesmo se ele tivesse bebido um pouco do sangue de seu pai... Sua primeira refeição...tinha sido o sangue do Onew. Um vampiro classe A. A melhor qualidade de sangue existente.
Isso era o que o tinha salvado, transformando-o em um vampiro normal ao invés de uma fera ou rebelde.
Mas...uma fera?
Uma fera completamente transformada?
Key respirou mais uma vez e olhou pra cima, a Fera ainda encostada na árvore, olhando pra ele com olhos tristes e molhados. Ele...sabia que estava morrendo. Droga. “Não me olha desse jeito..! Mesmo que eu te dê meu sangue, eu não tenho certeza se adiantaria..! Eu não sou um puro-sangue e você é uma fera! As chances de você viver agora são muito pequenas.”
Olhos pretos simplesmente olharam pra baixo, íris prateadas se tornando desfocadas, um pequeno murmúrio deixando sua garganta seca.
Key sentiu algo dentro dele se quebrar.
Isso não estava certo.
Ele não podia aceitar.
Meras horas atrás, o garoto tinha provavelmente se divertido com seus amigos e agora ele estava aqui, machucado, e morrendo de uma doença sem cura. A doença deles. A sua doença.
Com seu coração batendo fortemente contra o peito, Key sentiu que não podia respirar. Era isso. Ele tinha decidido. Ele estava prestes a fazer algo completamente louco.
“Mas...uma chance ainda é uma chance.” O loiro murmurou, repetindo as palavras do Onew e se levantando, andando na direção da fera. “E...eu acho que você poderia usar uma.”
Olhando pra cima em confusão, a fera piscou lentamente para o vampiro que se ajoelhou a sua frente.
“Eu to maluco. Eu vou ser expulso do clã por causa disso...” Key sussurrou, suas mãos tremendo enquanto ele levantava sua manga. “Eu to arriscando minha própria cabeça por uma fera... Que vai acabar morrendo de qualquer forma...”
Isso era loucura.
Ele deveria ter ignorado a visão na sua mente.
Ele deveria estar lutando ao lado do Minho como eram as ordens.
Ele era um soldado. Ele deveria obedecer ordens!
E agora...aqui estava ele...quebrando a mais importante: Nunca deixe uma fera viva.
Levando seu próprio pulso à boca, Key sentiu uma dor aguda tomar seu corpo quando suas presas cortaram sua pele, rasgando sua carne, o doce sabor metálico do sangue em sua língua.
Ele sentiu a fera ficar tensa a sua frente, reagindo ao cheiro. Assim como Taemin tinha feito...
“Chega mais perto... Tenta não arrancar meu braço, ok?” Ele sussurrou, seu coração quase saindo do peito enquanto ele via as íris cor de mercúrio da fera se focarem em seu pulso, seu corpo repentinamente ganhando força, puxando seu peso pra cima pra alcançar o loiro.
Ele estava assustado.
Ele estava realmente assustado.
Key nunca tinha alimentado ninguém antes, ele não tinha ideia do que esperar.
O que aconteceria? O que ele sentiria? Como ele saberia quando fosse suficiente? Ele ainda teria a força para impedir o outro de drená-lo até a morte?
Tantas perguntas e nenhuma resposta.
Ele estava rapidamente se arrependendo de sua decisão, mas não havia volta agora.
Se a fera se tornasse mais forte e o matasse em seguida... Seria sua própria culpa. Seria o fruto do seu próprio pecado.
Frágeis, gélidas mãos com garras seguraram seu braço, puxando-o pra perto.
Key fechou seus olhos, medo congelando seu corpo no lugar.
“Ahhh!”
Os olhos do Key se abriram de choque pelo contato, presas não familiares fazendo seu caminho pela ferida já aberta.
Era doloroso; era como ter varas afiadas cutucando uma ferida recente e dolorosa e se movendo ao redor dela pra danificá-la ainda mais.
Pressionando seus dentes juntos pela dor, Key gemeu, tentando controlar sua respiração de alguma forma.
Ele podia ouvir. O som do seu próprio sangue se movendo, atingindo a garganta do outro e sendo engolido.
“Huuummhh…”
Key abriu um olho, observando o homem a sua frente gemer em êxtase, seu maior desejo sendo finalmente realizado. Ele parecia quase feliz, como um filhote faminto que tinha recebido um lanche. Key não podia deixar de encará-lo com divertimento, a dor lentamente diminuindo.
“Calma... Eu sei que você tá com fome, mas-OUCH! Eu disse pra ir com calma, seu bastardo!!!” O vampiro gritou, um choque de dor percorrendo seu corpo. Ele puxou seu braço pra longe instintivamente, deixando a fera de olhos arregalados, boca aberta em surpresa por ter sua refeição interrompida.
A diva o encarou, depois olhou pra sua ferida, tentando analisar os danos. Deveria ser suficiente por enquanto, a fera não precisava de mais, Key decidiu, não querendo arriscar ter seu braço arrancado.
“Huuwwn..” Um murmúrio veio da sua direita, uma mão com garras se esticando pela sua.
“NÃO! Foi o suficiente! Você vai acabar comendo meu braço todo!” O loiro reclamou, protegendo seu pulso ferido, pressionando-o contra seu peito.
“Huuwwn..!!” O som escapou os lábios pintados de vermelho do outro como um pedido desesperado, olhos escuros se levantando pra encontrar os seus, íris prateadas se tornando mais brilhantes sob a luz da lua. Brilhantes e...assustadoramente doces.
Os olhos de Key se arregalaram de choque.
A fera...estava realmente dando a ele...um olhar de cachorrinho...
Key arqueou uma sobrancelha em horror. Que tipo de fera estranha era essa?! Isso era normal?!
“Huumm..!” O outro murmurou, suas mãos se esticando pelo braço do vampiro outra vez, puxando-o como se dissesse ‘me dá, é meu’.
Key corou.
O que era isso?! Esse cara estava mesmo agindo como algum tipo de bebê dinossauro e ele era a mãe que tinha que alimentá-lo.
Com as bochechas agora rosadas, o vampiro suspirou em derrota, esticando seu braço. Ele era fraco com coisas fofas... Como uma fera podia ser fofa?!
“Tá, tá... toma. Só não me morde de novo ou então eu vou atirar na sua cabeça e arrancar seu cérebro.” A diva ameaçou, quase com um biquinho, sentindo seu braço ser puxado outra vez.
Isso era muito mais que anormal.
Ele tinha visto feras se alimentarem de humanos antes. Eles não puxavam seus braços suavemente como se pedissem por permissão. Não, eles iriam enfiar suas presas dentro do pescoço das pessoas, arrancar suas cabeças e rasgar suas peles com os dentes, quebrando os ossos e os separando da carne.
Não era algo gentil a se fazer.
E aqui estava ele...tendo um bebê fera lambendo sua ferida, enterrando suas presas em seu braço outra vez, sugando gentilmente como um recém-nascido que sugaria do peito de sua mãe.
“Arhhh..” Key sibilou, uma forte sucção o fazendo se sentir tonto.
Ele retirou o que estava pensando. Isso não era nada como um bebê.
“P-para..!” Ele gaguejou, sentindo as garras dele se enterrando em seu braço, marcando-o, fortes sucções fazendo sua cabeça se sentir realmente leve. Droga... Já era o suficiente. Ele já tinha energia demais. “Já chega...! Jonghyun..PARA!” Ele gritou.
Para sua surpresa, o garoto se afastou, olhos arregalados de surpresa, uma gota de sangue pingando de seu lábio inferior.
Key piscou estupidamente.
Não, isso não era possível. Feras deveriam esquecer tudo sobre seu passado quando eram transformadas. Era impossível que eles se lembrassem de algo...
“Você...reconhece seu nome, não é?” Ele perguntou, maravilhado. “Como isso é poss-”
Repentinamente, uma espada veio voando do nada, passando próxima a sua bochecha, atingindo a árvore perto dele.
Os olhos de Key se arregalaram com o choque, seu coração se acelerando dolorosamente pelo som do metal passando tão próximo a sua cabeça.
Os olhos de Jonghyun também se arregalaram, fazendo uma carranca raivosa logo depois, rosnando alto.
“KIBUM! Kibum, você tá bem?!” A voz do Minho gritou de algum lugar entre as árvores.
Key se levantou com um pulo, uma mão pressionada contra seu coração assustado. “Que as pulgas de milhares de camelos se aninhem nos seus genitais, Choi Minho!!! Você quer me matar?!” Ele gritou, apontando para a espada afiada presa na árvore perto dele.
O guarda-costas saiu da escuridão e uma nova figura logo se juntou a ele, uma cabeça loira brilhando sob a lua. “Umma! Umma, você tá bem?!”
“O que você tá fazendo aqui? Eu te disse pra ficar com o Comandante!” Key gritou.
“Aquela fera! Ela te machucou!” Minho declarou, franzindo o rosto. Ao seu lado, Taemin arfou em horror, correndo para o seu melhor amigo.
Key ignorou os braços do mais novo ao redor dele, sua voz perguntando se ele estava machucado. Ele não podia se importar menos com isso no momento. Jonghyun tinha fugido, nenhum sinal dele ao redor. Merda.
Ele não podia deixá-lo fugir! Ele tinha seu sangue agora! Ele era de alguma forma uma parte dele...sua criação, seu protegido. “Eu to bem...” Ele murmurou, olhos se movendo rapidamente pra capturar qualquer tipo de movimento. Ele sabia o que podia acontecer se ele não o protegesse agora...
“Eu vou lidar com isso...” Minho sibilou, passando por ele e pegando sua espada.
Isso poderia acontecer.
“NÃO! PARA!” Key gritou, segurando o braço do mais alto.
Minho olhou pra baixo, confusão se espalhando pelo seu rosto. “O que você quer dizer com ‘para’?! Fica pra trás, você tá ferido. Eu vou matar essa coisa.”
Matar essa coisa. Não.
Nunca.
Ele nunca permitiria isso.
“Você não pode matar ele!” Key gritou, enterrando suas unhas no braço do outro para preveni-lo de seguir a fera.
“Por que isso? Você tá me fazendo perder o rastro dele!” O outro gritou com raiva.
Key engoliu em seco audivelmente. Ele não podia dizer nada que não fosse a verdade.
Ele tinha pecado...e agora ele tinha que lidar com as consequências.
Não tinha volta. Mentir só tornaria as coisas mais feias do que já eram.
Olhos dourados olharam pra cima.
“Ele é meu.”
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MensagemAssunto: Re: The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]    

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The Beast [Jongkey] (Capítulo 6) [Atualizada - 15/01/2014]
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